"Tornei-me insano, com longos intervalos de uma horrível sanidade" - Edgar Allan Poe

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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A Garota Fantasma contra a Entidade Puppy


Co-autores:
Tia Jade do canal Mundo Paranormal https://www.youtube.com/channel/UCrI 
Mr. Terror do instagram https://www.instagram.com/Willy.ironico/

O carrossel girava mais devagar do que deveria, mesmo estando vazio as luzes piscavam constantemente deixando cada cavalo com uma sombra fantasmagórica ao seu lado, ali de pé fiquei hipnotizada com os movimentos, algo me fez lembrar de casa, não conseguia saber exatamente o que, o vento aumentou, só pude perceber quando as folhas passaram rolando no chão, não sentia o vento, passava por mim sem me tocar assim como as crianças correndo, uma em especial me chamou atenção, uma loirinha de aparentemente sete anos, estava acompanhada de um palhaço, de primeira não vi nada de anormal, pois estávamos em um parque de diversões, aos poucos fui percebendo de longe que apenas eu e a menina víamos aquele palhaço.


A cada passo que aquela criatura dava deixava uma marca preta no chão, não tinha certeza se aquele palhaço sinistro ia conseguir me enxergar, aliás eu nem queria saber, corri até o portão de saída, e mais uma vez não consegui passar, estava presa ali como antes estava no quarto com aquele psicopata.


Já que estou presa aqui, vou dar uma volta pelo parque mesmo não podendo aproveitar os brinquedos, pelo menos aproveitaria a diversão das pessoas. O sol já estava se pondo e as luzes da montanha russa foram ligadas, era lindo, multi cores rodando num eterno arco de alegria.

- Você não pertence há esse lugar? – levei um susto quando a entidade falou diretamente pra mim.

- O que é você? – tentei não demonstrar medo.

- Eu sou tudo aquilo que o inferno mais deseja, a perdição personificada em uma única força, mil demônios morreram para me dar vida, os inocentes sofreram pelos pecados dos condenados!

- Isso é para me assustar? – por algum motivo revidei.

- Eu não temo nada, muito menos você criatura sem proposito. Quem lhe mandou? – assim que disse essas palavras desapareceu.

Apesar de ter enfrentado aquela entidade com tanta determinação, estou com bastante medo do que ela pode fazer, infelizmente ainda estou presa aqui, preciso desesperadamente achar um jeito de fugir, mas antes que eu pudesse fazer alguma coisa o palhaço demoníaco voltou.

Voltou agora mostrando do que era capaz, veio correndo para cima de mim, aparecendo e desaparecendo a cada piscar de olhos, parecia que podia fazer esses truques ao seu bem entender, me acertou de frente, caí no chão e senti toda a dor do impacto, pensava que isso não seria mais possível, na mesma hora queria tivesse continuado, pulou encima de mim com aquelas mãos com luvas brancas enormes, que por algum misteriosa queimavam a minha pele, saiu fumaça do meu pescoço. Abriu a boca mostrando seus dentes pontiagudos e amarelos, o cheiro que saia de dentro era algo indescritivelmente nojento.

- Acabo fadinha! Quem te mandou contra mim? – por algum motivo ele parecia muito preocupado com quem possivelmente tinha me mandado, como se já estivesse esperando por isso.

- Eu não sei do que você está falando! – preciso arrumar um jeito de sair dessa situação.

Seus olhos começaram a se esbugalhar ficando do tamanho de bolas de golfe, fechei meus olhos, me concentrei em pensamentos positivos o mais forte que pude, quando voltei a abri-los ele tinha desaparecido, levantei um pouco desorientada, de longe vi o palhaço de mãos dadas com uma menina, a mesma que tinha me chamado atenção, ela solta a mão do palhaço e vem em minha direção como se estivesse com muita raiva de mim.


- O que você fez com meu amigo?

Eu fiquei com os olhos fechados só por alguns instantes mas foi tempo suficiente para que aquele palhaço fizesse aquela garotinha me odiar de tal maneira a ponto de vir tirar satisfação como se ele que fosse a vítima, conseguia ver a raiva nos olhos da menina, já não sabia mais com o que estava mais surpresa, se por uma garotinha que anda com um palhaço bizarro, ou pelo fato dela poder me enxergar quando ninguém mais pode... Me perdi em meus pensamentos, quando voltei a menina ainda estava lá esperando uma resposta para o que eu havia feito com o seu "amigo", não tive resposta, então o palhaço aproximou-se e disse vamos Melissa, cuidamos dela depois, temos que "brincar" com outra pessoa agora e sumiram.

As horas passaram, uma fina chuva começou a cair, em questão de segundos meus cabelos estavam encharcados, foi só aí que percebi que apenas eu estava molhada e de longe enxerguei o palhaço novamente, também estava molhado, era uma chuva do além, não só uma chuva uma tempestade se formou, a garotinha parecia perceber o que estava acontecendo, a ventania forte foi me empurrando em direção ao palhaço, fiz força para parar, me segurando no carrossel consegui ficar distante.

Em meios às trovoadas podia nitidamente escutar risadas de alguma coisa sinistra muito além da imaginação de qualquer ser humano, junto com a risada um fedor de enxofre, o palhaço também havia percebido a mesma coisa, pude notar um certo receio em seu olhar.

Logo a chuva e o vento cessaram, perdi o palhaço de vista novamente, não podia deixar ele com aquela garotinha, os procurei pelo parque todo sem sucesso, voltei para o carrossel, fiquei girando com os cavalos imaginando estar em qualquer outro lugar, perdida nesse mundo novo que se apresentou a mim, não sei meu nome, minha idade, da onde venho, como morri, sou um completo mistério para mim mesma, sinto falta de um carinho que nem me lembro.


Perdida em meus pensamentos demoro a perceber a gritaria que tomou conta do parque, crianças e adultos correndo desesperadas para a saída, sai logo do meu transe sentimental e foi averiguar o que estava acontecendo, com certeza era alguma ação daquele palhaço maldito. A multidão estava correndo para longe da Casa do Terror, queria muito tirar aquela garotinha disso tudo, entrei no local sem pensar duas vezes.

O lugar estava muito escuro com um ar congelante que dava para ser visto a olho nu, caminhei pelo corredor com recheio do que iria encontrar, nenhuma daquelas figuras nas paredes e no chão do cenário me assustou mais do que a garota sentada no sofá rindo feito uma bruxa descontrolada, olhei em volta e nenhum sinal do palhaço.

- Se aproxime não tenha vergonha! – a voz da menina estava dupla como se duas pessoas falassem ao mesmo tempo.

- O que... que é você?

- Sou algo a mais agora, o dragão cuspidor de fogo. “Accerso alius sententia ut mihi, phasmatis of interregnum ego dico, solvo meus mens mei, ego dico phasmatis auditore meus placitum meus mens quod iacio Margareth.” – depois que recitou esse feitiço se levantou do sofá e entre as sombras pude ver o seu rosto, estava pintado como uma maquiagem de palhaço borrada.

- Vamos encontrar a sua mãe!

- Mãe? Eu serei a mãe de mil espíritos errantes, nenhuma alma mortal ficará em paz no dia que eu reinar.

- Que loucura é essa? Venha comigo menina, vamos fugir.


- Dona aranha subiu pela parede, veio um palhaço e ARRANCOU SUAS PERNAS!!!!!! – ela se transformou em um misto de palhaço com uma aranha gigante, foi a coisa mais grotesca que já tinha visto na minha vida, fui embora dali o mais rápido que pude sem olhar pra trás, aquela menina já estava perdida nas trevas não tinha mais salvação, minha mente ficou turva e só enxerguei escuridão novamente.


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