"Tornei-me insano, com longos intervalos de uma horrível sanidade" - Edgar Allan Poe

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A Floresta do Demônio de Olhos Azuis



Há 100 anos...

Victor brincava com Susan em volta da casa de madeira dos seus pais na saída floresta, era final de tarde quando a bola que eles brincavam rolou para dentro da floresta, sabiam que entrar a noite era perigoso, pois eram várias as lendas dos espíritos que vagavam pelas árvores e atraíam almas para perdição e morte.


Susan queria muito a bola de volta, mas Victor que era o mais velho, não deixou ela ir para a floresta porque a noite já havia chegado, os pais dos dois ainda não tinham voltado da cidade, e Victor tinha que cuidar da sua irmã, mas depois de se distrair arrumando a mesa para eles jantarem notou o sumiço de sua irmã, correndo apavorado sem se preocupar com nada ele entra floresta a dentro para procurar sua irmã.


Corre gritando por seu nome, mas não encontra nenhum sinal dela, as coisas começam a ficar estranhas quando um cavalo branco passa por ele, fica assustado o cavalo era enorme e muito branco, escuta gritos que pareciam ser de Susan e corre na direção, encontra um buraco no chão e as roupas dela rasgadas em pedaços , mas nenhum sinal do seu corpo ou de sangue. Ele se abaixa pra pegar um dos pedaços da roupa quando uma mão gigante com garras o pega pelo ombro, a única coisa que vê são os olhos azuis, a floresta fica em completo silêncio.


Atualmente...

A viagem estava indo muito bem, Patrícia e Juan eram um casal super apaixonado, Douglas e Renata eram amigos que Patrícia estava tentando aproximar, eles tinham acabado se sair de uma cidadezinha pequena há umas 2 horas, estavam passando agora por uma grande floresta bem fechada, na metade da travessia o carro tem uma pane e para, estava quase anoitecendo, todos estavam muito cansados e resolveram acampar ali mesmo até a manhã seguinte, tiram uma barraca do porta-malas, trancam o carro, pegam alguns utensílios e entram na floresta.


A mata densa e o nevoeiro deixavam aquela floresta num tom assustador, Renata não gostou muito de terem parado ali, mas o resto estava se divertindo. Logo a noite chegou e consigo o frio ficou mais intenso, quando Douglas finalmente estava ficando com Renata, e Patrícia e Juan se pegavam dentro da sua barraca, eles escutam uma voz que era trazida pelo vento, dizia apenas uma palavra, um nome, “SUSAN”.

Os quatro saem de suas barracas assustados, a escuridão era total agora que a fogueira tinha se apagado, Patrícia pega uma lanterna e aponta para onde eles escutaram um barulho de mata se mexendo, a luz não iluminava muito, mesmo assim viram de longe a silhueta de uma garotinha caminhando, meio torta, entre as árvores.

Suas roupas eram de camponesa, entre as mangas e colarinho saiam raízes de plantas, seu rosto era cinza esbranquiçado, ao redor dos olhos grandes manchas roxas, magra caminhava como se tivesse apenas ossos no corpo. Depois de alguns passos ela cai no chão. 

Eles hesitaram entre o medo que ela fosse um espírito, e em ajudar o que era aparentemente uma menina perdida na floresta, Patrícia vai ao seu encontro e a pega nos braços.


- Você está bem, menina?

- Fu...

- Não fale nada, vamos te levar para um hospital. – Juan que já tinha conseguido fazer o carro funcionar, liga ele para sua mulher levar a menina.

- Na... – ela toma folego. – Não!

- Porque não?

- Fujam, ele está vindo.

- Quem está vindo?

- O demônio que está com meus olhos.

Parecia que a lua tinha desaparecido do céu, o breu tomou conta de tudo, até o carro voltou a apagar.

- É tarde pra nós novamente.

Patrícia sentiu um leve toque nas suas costas, mas por dentro de sua pele, os outros viram apenas dois pontos azuis brilhantes atrás dela, sentiu aquela mão torcer sua espinha e quebra-la. Com um forte puxão, fez ela ser achatada por dentro fazendo a sua cabeça entrar no seu corpo até chegar a bacia. O restante morreu sufocado em extrema agonia quando os dois pontos azuis se aproximaram. E a menina foi arrastada de volta para a floresta. 


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Minha Namorada Vampira – Amor à Primeira Morte


Vocês acreditam em destino? Pois até um tempo atrás também não acreditava nesse tipo de coisa, passei a minha vida inteira renegando que existia algo maior, estava enfrentando uma situação muito difícil, a falta de grana estava quase me fazendo voltar a morar com minha mãe, isso seria um passo atrás na minha vida, não sabia mais o que fazer pra arrumar mais dinheiro, vendi meu Xbox, minha filmadora, mas ainda assim o aluguel e meu curso estavam caros demais pra me manter, meus maravilhosos problemas estavam acabando com minha tranquilidade e não tinha ninguém pra pedir ajuda ou que tivesse condições de me ajudar.

Demorei demais pra entregar um trabalho com isso perdi o ônibus, quando isso acontecia tinha que esperar quase meia hora pro próximo passar, foi o que tive que fazer, a fome apertando o meu estomago e o sono batendo, já era quase meia noite quando finalmente peguei o ônibus, estava vazio provavelmente era o último, mesmo com meu casaco estava com frio, coloquei meus fones de ouvido e sentei no fundo do ônibus como de costume, depois de uns trinta minutos de viagem escutando um podcast sobre cinema cheguei em casa.


Antes de subir as escadas para o meu pequeno apartamento escuto alguns barulhos estranhos no beco ao lado, atrás de um contêiner de lixo vejo dois pés tremendo, deveria ser apenas um bêbado no chão, mas minha curiosidade foi mais forte que meu medo, devagar fui ver o que estava acontecendo. Encima daquele homem no chão tinha uma mulher, longos cabelos loiros sujos e roupa toda rasgada, ela parou de se mexer quando notou a minha presença, estava acocada sobre ele com a cabeça no seu pescoço, quando virou para mim sua boca estava vermelha de sangue.

Corri para minha casa louco de medo, subi as escadas cinco degraus de cada vez, abri e tranquei a porta rapidamente, a porta do corredor era de vidro, olhei durante alguns segundos pra ver se tinha sido seguido, mas pro meu alivio não tinha sido. Abri minha porta, liguei a luz e fui direto pra cozinha comer alguma coisa, mas ainda com os pensamentos naquela cena que tinha presenciado, imaginando que no dia seguinte um monte de policiais estariam ali tentando descobrir o que tinha acontecido, e se falasse o que vi possivelmente seria taxado de louco ou até mesmo suspeito.

Escuto um barulho no meu quarto, caminho devagar até lá com o coração batendo forte, mal conseguia respirar, ascendo a luz e ela estava em pé encima da minha cama, com o susto caio pra trás sobre o meu ventilador.

No chão a olhei, mesmo aterrorizado, mais atentamente, seu rosto sujo de barro e sangue, roupas rasgadas ainda mais sujas, até seu cabelo longo loiro parecia de outra cor, desceu da cama e se aproximou de mim, fiquei em pânico, não sabia o que fazer, aqueles olhos azuis fixos em mim pareciam que estavam me atraindo, me cheirou, por algum  motivo estupido fiquei imóvel na tentativa de parecer morto, como se ela fosse algum animal irracional.

- Calma não vou lhe machucar. – a sua voz ela suave. – Preciso de um lugar pra ficar, só por hoje à noite. – ainda assustado acenei com a cabeça que sim. – Obrigado! Posso tomar um banho? – acenei novamente com a cabeça que sim.

Ela tirou a roupa na minha frente, as deixou no chão e foi até o banheiro, levantei alguns minutos depois que me recuperei, foi difícil de acreditar naquela coisa surreal que tinha acontecido.

Parei na porta do quarto pensando no que poderia fazer enquanto ela cantarolava debaixo do chuveiro.

Peguei uma faca pra me defender, ainda não entendo como apenas não fugi dali, mas minha curiosidade estava me segurando. O chuveiro finalmente foi desligado, ela saiu com a toalha enrolada no corpo, fumaça saindo dela como um vulcão em erupção.

- O que é você?

- Apenas uma menina tentando sobreviver nesse mundo escuro.
Ela se aproximou de mim ainda molhada e deixou a toalha cair, seus olhos ficaram vermelhos, abriu a boca como um predador pronta pra comer a sua presa, eu tremia da cabeça aos pés, quatro de seus dentes caninos aumentaram de tamanho ficando pontudos e salientes, deixei a faca cair numa visível demonstração de fraqueza. Para o meu espanto ela parou e ficou me olhando com uma certa curiosidade, não sabia o que fazer estava hipnotizado a mercê de sua vontade.

- O que foi, meu anjo? Eu falei que não iria te machucar!

- É...É..

- Sim, eu sou uma vampira, muito prazer!

- Prazer! – falei ainda assustado.

- Posso vestir uma roupa sua, as minhas já não estão mais usáveis.

- Ali.

Ele caminhou de volta ao meu quarto, abriu o armário e colocou uma calça de moletom e uma camiseta branca, o meu banheiro estava com sangue por todos os lados, peguei o balde e o detergente, fui limpa tudo aquilo.

- Não bebê, deixa que eu limpo.

- Não se preocupe eu faço.

- Não mesmo! – ela pegou o balde de mim, me afastei de novo assustado, pois seus dentes ainda estavam salientes. – Desculpe esqueci os meus dentes.

- Isso é sério mesmo, tu é mesmo uma vampira?

- Sei que é difícil de acreditar, mas é verdade, fui mordida há alguns anos e dês de então venho vagando pelas ruas evitando o sol.

- Quem te mordeu?

- Não sei quem é, só sei que foi uma mulher.

Agora ali conversando com ela agachada limpando meu banheiro pude notar toda a sua beleza, mesmo ainda confuso se o que falava era mesmo verdade, era difícil acreditar que vampiros realmente existiam, mas no momento acreditar era tudo o que eu poderia fazer.

- Tem algo pra comer? – ela me perguntou logo que terminou de limpar tudo.

- Me diz uma coisa, vampiros não precisam de autorização do dono pra entrar?

- Precisam se o dono estiver em casa, mas entrei aqui antes de você passar pela porta.

- O que vai querer? Não tenho nenhum... – não terminei a minha frase, me virei ela estava sugando o sangue do meu hamister.

- Desculpe!



sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A Candidata: Primeira Abdução


Aquele zumbido no meu ouvido parecia nunca querer parar, faz mais de uma semana que isso está me incomodando demais, e afetando meu emprego, escutei alguns colegas de outro setor cochichando Ana Paula pelos corredores, deviam estar reclamando de mim. Vou ter que ir em um médico ver isso o mais rápido possível antes que eu comece a enlouquecer. Em certos momentos do dia ele é quase inaudível, mas em outros dias, tinha a impressão que estavam construindo uma obra na minha cabeça, e uma furadeira estava entre os meus olhos, nesses dias me trancava em casa e me enchia de remédios.


Fui em vários médicos diferentes, mas sempre recebia a mesma resposta, minha cabeça estava em perfeito estado, nenhum problema era achado, nem físico e nem psicológico, isso já estava me consumindo. Perdia diversas horas de sono me revirando na cama sem conseguir me livrar desse zumbido maldito. Cheguei a um ponto certa vez, de pegar uma chave de fenda e enfiar na minha orelha até o ponto de começar a sangrar, era frequente bater minha cabeça nas portas e nas paredes para ganhar algum alívio da agonia que me era acometida.

Em um dos dias que tive uma folga, e finalmente consegui ter um sono tranquilo, fui despertada por um barulho estranho na cozinha, por um momento achei que estava apenas sonhando, que era apenas um fruto de uma mente exausta a ponto de enlouquecer.

Por via das dúvidas me levantei tateando as paredes em ziguezague, acendi a luz ainda com os olhos fechados e quando abri por alguns momentos achei que ainda estava dormindo. Meus eletrodomésticos estavam todos empilhados encima da mesa, junto com cadeiras, vassouras e até o pano do chão. Os alimentos dentro dos armários também estavam encima da mesa, e as portas deles abertas. Nada ficou no chão ou dentro dos armários.


Por um momento não acreditei naquela cena, tive medo que um assaltante estivesse dentro da minha casa. Fui até a sala, mas tudo estava normal, a porta e janelas continuavam trancadas como deixei, nenhum sinal de arrombamento ou invasão a não ser na cozinha.

O zumbido voltou com tudo, me ajoelhei de dor, agora era como uma escavadeira dentro do meu cérebro. Minha visão ficou turva, aos poucos fiquem desorientada e perdendo a noção de espaço. Antes de apagar pude sentir presenças me rodeando e tocando em mim com dedos finos e gosmentos.

Meu cérebro despertou novamente, mas meu corpo não, estava consciente e mesmo assim não conseguia me mover um centímetro sequer. Única coisa que conseguia enxergar, depois de me esforçar para abrir os olhos, era uma forte luz branca em minha direção. Estava deitada nua encima do que deveria ser uma maca. Gritei apenas por pensamento, porque nenhum som saiu da minha boca.

O zumbido voltou, mas agora tinha uma justificativa, estavam furando minha cabeça com alguma coisa. Mesmo não podendo me mexer, eu estava sentindo tudo, pedia para morrer enquanto as lágrimas escorriam, foi a pior dor que já senti na minha vida.  Fiquei inconsciente depois de um tempo, voltava a acorda de tempos em tempos ainda sentindo muita dor.


Quando eles acabaram de fazer o que queriam com minha cabeça, senti diversas mãos passando pelo meu corpo nu, dedos finos e compridos demais para serem de uma pessoa. Em um momento que estava com náuseas e quase vomitando, voltei a controlar o meu corpo, me virei rapidamente e caí da maca, junto derrubei uma prateleira com diversos instrumentos cirúrgicos.

Vomitei muito no chão, saiu de dentro de mim envolto a sangue alguma coisa que não consegui identificar, tive a impressão que estava se mexendo, minhas forças acabaram e eu apaguei novamente. Acordei no chão da minha sala com o sol já raiando, não parei de tremer durante uma semana inteira, fiquei paranoica, nunca contei para ninguém o que aconteceu comigo, e não sei se alguém acreditaria, estou me preparando para o retorno deles, dessa vez não vão me pegar desprevenida, vou descobrir o que fizeram comigo nem que isso custe minha vida.



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