"Tornei-me insano, com longos intervalos de uma horrível sanidade" - Edgar Allan Poe

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Cemitério 2° Relato


Os Mortos Não Saem das Covas

Conto baseado em fatos reais, nomes e locais alterados para preservação dos envolvidos.

Rogério estava há quase um ano sem conseguir um emprego fixo, não conseguia segurar um emprego por mais de dois meses, a crise no país estava alta, e ele estava sendo afetado diretamente, suas contas a cada dia estavam se acumulando e os juros aumentando, tinha que pagar pensão pra sua filha de quatro anos, o resto do dinheiro que tinha mal dava pra passar o mês, ele já estava desesperado quando encontrou uma vaga de emprego em um cemitério afastado da cidade.

Acordou cedo no dia seguinte, fez a barba pegou sua melhor roupa, imprimiu seu currículo e saiu de casa às 5 da manhã, queria ser o primeiro a chegar pra conseguir a vaga. Apesar de ter que dormir no cemitério algumas noites o salário era muito bom, mais alto que qualquer outro que já tinha ganhado na vida, Rogério era de uma família humilde, até tentou, mas não conseguiu terminar os estudos com isso nunca conseguiu um emprego com alta remuneração.

Rogério conseguiu ser o primeiro a chegar, mas logo estranhou nenhum outro candidato apareceu o tempo passou e ele era o único candidato, estava surpreso, mas também feliz, o salário era muito bom pra ser verdade e ele realmente necessitava. Um velho com uma bengala veio ao seu encontro enquanto ele esperava no lado de fora do grande portão.

- Tem certeza que você quer o emprego? – o velho falou com uma voz arrastada e desanimada.

- Sim claro, aqui está o meu currículo, tenho experiência com segurança. – Rogério estava nervoso pra conseguir o emprego.

- Não quero saber, apareça aqui amanhã pra começar os turnos. – falou ainda mais desanimado.

- Muito obrigado mesmo. – Rogério nem tinha terminado a frase e o velho já tinha lhe dado às costas, ele o observou até desaparecer entre as lápides.

Rogério foi pra casa muito animado, poderia finalmente depois de um longo tempo dormir em paz. No dia seguinte acordou tão cedo quanto o dia anterior, caia uma chuva fina na cidade, mas isso não impedia que as paradas estivessem lotadas, esperando seu ônibus e preocupado com o horário ele nem percebeu a aproximação de uma velha bem judiada pela vida e com roupas bem surradas e rasgadas.

- Filho, sabe se o T4 passa aqui? – a velha quase que sussurrou.

- Não senhora, esse não passa aqui.

- Os mortos não saem das covas filho. – falou e foi se afastando, Rogério nem teve tempo de reagir, pois seu ônibus tinha acabado de chegar, de dentro do ônibus viu a velha do lado de fora o observando pela janela.

Ao chegar no cemitério encontrou o portão aberto, bateu palmas e logo viu o velho vindo em sua direção.


- Desculpa nem perguntei o nome do senhor. – Rogério falou quando se aproximou.

- Juvenal, entre de uma vez tenho mais coisas pra fazer.

O cemitério mesmo durante o dia era bem sinistro, Rogério nunca tinha entrado nesse e sentiu calafrios assim que pisou lá dentro, eles caminharam por toda a extensão, o pequeno casebre era do lado oposto da entrada, tinham que atravessar praticamente todo o local, algumas covas estavam abertas com seus caixões pra fora, o que deixou Rogério curioso.

- Por que essas covas estão abertas?

- Eu estou ficando velho, já vi muita coisa durante muitos anos, não me assusto mais com nada, mas não tenho mais a vitalidade de lidar com ladrões ou tarados por corpos frescos.

- Que coisa terrível.

O pequeno casebre onde ele deveria ficar tinha apenas um cômodo com apenas uma cama de solteiro e uma cadeira com uma mesinha e a lareira. Eles andaram mais um pouco pelo cemitério, Juvenal mostrou praticamente todas as lápides pra ele e tudo o que ele deveria fazer.






As primeiras noites foram tranquilas nenhuma atividade fora do comum, apesar da quantidade excessiva de corvos que ele tinha notado tudo ocorreu extremamente bem, até se permitiu conferir algumas lápides e ver se reconhecia alguém, a noite já tinha chegado novamente e Rogério deveria voltar pro casebre e acender as luzes, mas alguma coisa estava errada, as luzes já estavam acessas, ele tinha certeza que não tinha acendido, entrou dentro do casebre bem devagar calculando qualquer movimento, assim que passou pela porta viu uma grande quantidade de terra na entrada e também em várias partes do casebre, estavam espalhados como se fossem pegadas.


Rogério ficou um pouco assustado, pegou sua lanterna e saiu do casebre olhando em volta, na arvore mais próxima dezenas de corvos estavam parados nos galhos olhando diretamente pra ele. Rogério cai no chão de sustos quando todos aqueles corvos bateram assas ao mesmo tempo e levantaram voo, ele levanta rapidamente e corre atrás dos corvos que pousam em uma lápide aberta.

O caixão tinha sido quebrado e o corpo que deveria estar ali dentro havia desaparecido, a cova era nova tinha no máximo duas semanas, era de Nina Kulagina, mas sua atenção foi desviada novamente com o barulho de vidro quebrado, ele correu novamente até o casebre e de longe viu que alguém estava lá dentro, os corvos começaram a fazer barulho alto como se alguma coisa estivesse os incomodando, Rogério ficou temeroso em se aproximar, quando estava há alguns metros do casebre a pessoa que estava ali, sai pela porta.

Uma mulher toda coberta de terra ficou o olhando nos olhos, alguns vermes saiam de sua boca e também dos olhos, ele dá alguns passos pra trás seu coração estava disparado e suas pernas bambas, não sabia bem o que tinha que fazer. A mulher então estica os braços e lhe chama pelo nome, Rogério corre desesperado pro portão, no caminho ele vê outras covas com mãos saindo de dentro da terra.

Rogério abandonou aquele emprego na mesma noite do ocorrido, agora ele trabalha como segurança de farmácias, ele nunca mais voltou naquele cemitério, soube anos depois que o cemitério havia sido fechado pelo sumiço de vários corpos.


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Andressa Amberg – Investigadora Paranormal



A garrafa de vodka já estava no fim, o cigarro já tinha acabado, aquelas ruas vazias e escuras pediam pra alguma coisa anormal acontecer. Andressa coloca a sua jaqueta, molha um pouco seus cabelos longos e negros, mas quando está prestes a sair seu telefone toca.

- Alô! Eu poderia falar com Dona Amberg?

- Diga o assunto que eu passo pra ela. – Andressa fingindo ser uma secretária.

- É pessoal o assunto. – a mulher do outro lado da linha parecia aflita.

- Moça é assim que funciona, a Amberg nunca fala pelo telefone, fale o que quer ou desligue.

- Como você é educada heim?

- Idem.

- Tudo bem, meu nome é Larissa Goulart, eu acho que tem um lobisomem na minha fazenda, preciso saber se isso é realmente possível.

- Lobisomem 30 mil.

- Eu não posso paga isso.

- Quanto então?

- Dez mil.

- Feito.

- Feito?


- Passa o endereço de uma vez.

A viagem até aquela fazenda no dia seguinte foi longa e chata, o que deixou Andressa ainda mais aborrecida, como precisava urgentemente de dinheiro foi fazer o seu serviço mesmo assim junto com sua mala com diversos aparelhos misteriosos. Assim que chegou à cidade descobriu que tinha que ir de carroça por mais duas horas até chegar à fazenda, entrou em um bar e pediu uma dose de cachaça e um maço de cigarro, tomou outras cinco doses antes de ir ao banheiro. Andressa tira um pó branco dentro de um saquinho de plástico do seu bolso, pega com os dedos e aspira aquele pó.

Aquela carroça fedida e velha balançava feito um liquidificador naquela estrada de chão batido, e isso não era o que mais a incomodava no momento, dividida com outras pessoas que moravam ali, roupas surradas e mais fedidas que a carroça.

- O que tu tá olhando? – Andressa estava incomodada pelos olhares.

- A moça não é daqui né?

- Claro que sou não tá vendo meu bafo de cachaça, só é um pouco menos fedido que o teu.

- Acho que a moça não deveria ir pra lá, tem um lobisomem naquela fazenda.

- Espero que tenha mesmo, ele é meu ganha pão.

Várias outras pessoas tentaram puxar assunto com ela, querendo saber quem era ou o porquê estava indo pra lá, mas ignorou totalmente. Aquela poeira parecia estar entrando dentro dela, estava a um passo de bater em alguém quando finalmente chegaram.


A primeira visão que teve quando chegou foi bem bizarra, doze estacas fincadas no chão no lado da entrada com carcaças de bois nas pontas, o cheiro era ainda pior que a cena, ela quase estava arrependida de ter aceitado o trabalho, a última vez que tinha encontrado um lobisomem as coisas não saíram tão bem, mas a falta de grana era um fator determinante, comer miojo e tomar vodka todo dia já não estava dando certo, a vida estava cada vez mais cara, e achar um trabalho sobrenatural remunerado era raro, ainda mais que quase sempre alguma morte estava envolvida, conseguir ficar anônima pra polícia mesmo fazendo o bem não era uma coisa fácil e custava muito, se ao menos alguma vez acreditassem nela pra variar, era taxada como louca ou até mesmo aproveitadora.

A fazenda era enorme impossível ver o final dela a olho nu, tinha tanto gado que poderia dizer que eram centenas, a casa também era enorme parecia antiga, mas bem conservada, assim que bateu na porta uma empregada abriu e a convidou pra entrar.

- Voltamos ao Brasil colônia?

- Desculpe senhora, o que?

- Senhorita pra você.

- A senhorita é Andressa Amberg?

- Infelizmente pra nós duas sou.

- Venha por aqui, por favor!

- Porque não?

A casa por dentro parecia mais moderna que do lado de fora, mesmo assim o ar antigo era predominante, Andressa largou a bolsa no chão e seguiu a empregada, prestando atenção em cada detalhe da casa, sua visão era boa tanto quanto sua audição, analisou cada canto querendo perceber alguma coisa fora do comum. Chegou à segunda sala onde um casal estava sentado no sofá tomando chá com bolacha.


- Graças a deus você chegou, já estava preocupada, achei que não viria mais. – a mulher estava usando um vestido longo com os braços de fora, braços esses que estavam muito arranhados.

- Também pensei a mesma coisa.

- Esse é meu marido Eduardo, por favor, sente-se, quer um pouco de chá?

- Eca não, por favor alguma coisa com álcool empregada.

- Meu nome é Beatriz. – falou irritada.

- Tanto faz.

- Pode trazer Beatriz. – Larissa falou quando Beatriz a fez um olhar indignada.

- Bem vamos falar do que importa a grana, o faz me rir, a bufunfa, cadê o dinheiro?

- O mais importante é acabarmos com essa criatura que esta amedrontando nossa fazenda. – Eduardo falou um pouco indignado.

- Pra ti né! – Andressa falo com um risinho debochado.

- Quem você pensa que é?

- A deusa da destruição, a cavalheira da noite, a salvadora dos pecadores, ou apenas uma alcoólatra. – Andressa agora estava se divertindo.

- Eu quero que ela vá embora agora, essa louca não pode nos ajudar. – Eduardo estava com raiva.

Andressa o ignorou, levantou e foi até Larissa e falou no seu ouvido. – Eu sei do seu casinho com Beatriz, mande ele ir embora e vamos negociar. – Larissa ficou perplexa por alguns segundos, mas pensou rápido e mandou Eduardo sair, mesmo ele tendo ficado chocado com isso. – Não se preocupe, não tenho nada a ver com a sacanagem de vocês, nem me preocupo com isso, mas quero saber a verdade, não existe lobisomem não é?

- Infelizmente a história do lobisomem é verdadeira, mas como tu soube de mim e da Beatriz?

- Droga! Pensei que ia me livra disso. – ela se atira no sofá. – Esses arranhões no seu braço não são de um lobisomem ou de uma queda, são unhas de mulher, e a tensão sexual que há entre vocês é obvia, só o burro do seu marido que não percebe.

- E ele não precisa ficar sabendo.

- Claro dês que eu receba meu dinheiro certinho no final desse trabalho.

- Tem a minha palavra.

- Existem três opções até o momento de ser o lobisomem, vocês duas e seu marido, mas como nunca vi de um lobisomem ser uma mulher, por isso fiz essa cena pra ele sair.

- Não pode ser.

- Pra minha sorte pode sim.

Andressa andou por toda a fazenda até escurecer, de cavalo com Larissa e depois a pé sozinha, falou com todos os empregados, tomou nota de tudo, cada detalha podia ser crucial, precisava provar que Eduardo era realmente o lobisomem, pra matar um era necessário uma bala de prata benzida bem no coração exatamente como vários filmes e livros mostravam, menos o fato que se ele te morder a pessoa mordida viraria o lobisomem, isso de fato ficava apenas na ficção romântica.

Aquela era a exatamente a primeira lua cheia do mês, com certeza o lobisomem ia dar as caras, precisava estar pronta porque lobisomens eram feras extremamente violentas e fortes. Andressa arruma sua arma com as balas de prata, coloca uma jaqueta especial resistente até a tiros, tomou um banho de agua benta, agora era só esperar algum sinal dele.

A casa foi trancada a noite apenas os quatro ficaram lá dentro, o resto dos empregados tinham sido dispensados, era perigoso, mas era o único jeito de provar que era Eduardo o lobisomem. A noite avançou e todos adormeceram menos Andressa, estava com a adrenalina à flor da pele, aquela situação era muito perigosa até pra ela, seu coração estava acelerado até estava com um pouco de medo, enfrentar um lobisomem dentro de uma casa não era nada bom.

Depois de chegar às 5 da manhã não resistiu e cochilou no sofá da sala, mas logo acordou com um bafo quente no seu rosto, quando abriu os olhos viu apenas enormes dentes na sua frente quase que do tamanho do seu rosto, Andressa congela sentiu um medo descontrolado, a criatura a tinha pegado desprevenida, em um pequeno deslize seu, agora poderia estar condenada, ela consegue depois de alguns segundo de tensão dar um salto pra trás, mas não o suficiente pra escapar da mão do lobisomem que a acerta atirando ela pra fora da casa pela janela.

Quando Andressa acordou o sol já havia nascido, tinha quebrado uma costela por causa do ataque, sua mente ainda estava um pouco turva, passou alguns minutos relembrando passo a passo o que tinha acontecido, não se perdoava por ter sido tão burra e ter sido surpreendida daquela maneira tão fácil, era uma pessoa experiente naquele tipo de situação, mas agiu como uma verdadeira amadora, mesmo assim tinha conseguido marca o bicho. Com um pouco de dificuldade se levantou da cama pegou sua arma que estava em cima da cômoda colocou na cintura e foi pra sala encontrar o resto dos moradores.

- Onde diabos está seu marido Larissa? - falou assim que avistou ela.

- Eu não sei o que aconteceu aqui ontem Andressa, mas não foi o Eduardo que te atacou, ele esteve comigo o tempo todo, eu juro que ele não saiu do meu lado.

- Não acredito! Vocês estão juntos nisso, o que é isso? Algum complô pra me matar é isso? Algum tipo de armadilha? - Andressa puxou a arma. - Chame ele aqui ou eu atiro em ti.

- Eduardo! - ela gritou. - Isso é um erro Andressa, vamos conversar por favor eu estou implorando.


- Apenas traga ele aqui. - depois de quase um minuto ele entrou na sala.

- Tu não pode apenas jogar água benta em mim. - ele estava tremendo da cabeça aos pés.

- Isso não adianta quando tu está no seu estado normal, apenas tire a camisa e cale a boca.

Andressa olhou a sua barriga e não tinha nenhuma marca, quando foi acertada pelo golpe do lobisomem, o mais rápido possível conseguiu fazer uma pequena ferida com sua faca, as marcas quando em forma humana não desapareciam, Eduardo era inocente, isso colocava uma pulga atrás da orelha de Andressa que agora estava mais confusa do que nunca, seu trabalho seria mais difícil que imaginava.

As noites passaram e nenhum outro sinal do lobisomem, Andressa não dormiu em nenhum desses dias, estava mais agitada e nervosa do que de costume, agora era uma questão de honra achar essa criatura, estava investigando como nunca, vigiava cada pessoa daquela fazenda, anotava qualquer coisa estranha, ainda não fazia sentido pra ela, só tinham quatro pessoas dentro daquela casa, não teve invasão, tinha que ser o Eduardo, mas nada o que ela tinha anotado levava a ele.

A ultima noite de lua cheia estava chegando, Andressa sabia que o lobisomem ia aparecer, quem quer que fosse estava fazendo muito esforço pra não se transformar, e essa ultima noite tinha certeza que o lobisomem não resistiria.

A noite veio e consigo trouxe uma tensão ameaçadora, o silêncio pairava, todos estavam reunidos na sala quando soou meia noite, Andressa, Larissa, Eduardo, Beatriz e alguns outros funcionários armados. Quem quer que fosse o lobisomem estava entre eles, não poderia estar em outro lugar, o resto da fazenda estava vazia, os olhares são de desconfiança entre todos.

- Preciso ir ao banheiro. – Beatriz se levanta do sofá.

- Sozinha não. – Andressa fala.

- Eu vou com ela. – Larissa segue com ela.

- O resto por favor relaxe, essa tensão de vocês está começando a feder. – Andressa estava visivelmente irritada.

Beatriz assim que chega ao banheiro no segundo andar tenta beijar Larissa que se esquiva, não estava afim de encontros românticos naquele momento, mas ela insiste, parecia um pouco descontrolada queria agarra-la de qualquer maneira, tentando se desvencilhar das investidas Larissa rasga a blusa dela e vê o corte na barriga.


Depois de um grito alto Larissa é jogada escada a baixo, no alto da escada um lobo humanoide com dentes enormes e babando de raiva assusta os empregados armados que atiram algumas vezes e depois fogem. Andressa saca sua arma com balas de prata mira e atira, mas erra, o bicho pula da escada encima dos empregados que agora estavam desesperados, arranca a cabeça de um e o braço de outro com um simples movimento e total facilidade.

Andressa sabia que um lobisomem era uma besta difícil de ser morta por sua força e agilidade, ainda mais nesse caso inédito pra ela, um lobisomem fêmea, em todos os seus anos de estudo com criaturas das trevas nunca antes ela viu isso, mas sabia que o momento não era pra divagação, mas sim pra ação. Ela joga cadeiras e almofadas pra chamar a atenção do bicho e consegue, aqueles dentes enormes sedentos por carne humana estavam agora na sua mira, com um uivo que botaria medo no homem mais corajoso ele encara Andressa que não fraqueja puxa a arma e atira mais uma vez, erra novamente, o bicho avança pra cima dela e a derruba fazendo um corte profundo no seu braço, ela segura a dor e com as pernas consegue segurar o bicho que estava tentando morde-la a qualquer custo, em um movimento rápido tira do bolso da jaqueta um apito e assopra, o barulho parece incomodar o bicho que recua dando tendo suficiente de Andressa pegar novamente a arma que tinha caído no chão e atirar precisamente no coração da fera.


Andressa parte antes mesmo de esperar o sol nascer, precisava ir embora antes que os policiais chegassem, pegou seu dinheiro quando Larissa se recuperou e foi pra estrada. Chegou em casa no fim do dia seguinte, assim que entrou no seu apartamento encontra um bilhete na sua porta “Preciso falar contigo o mais rápido possível. Ass. Z.A.”, mesmo bufando sem vontade ela apenas abre a porta do seu apartamento joga sua bolsa e fecha a porta novamente.

Caminha algumas quadras e finalmente chega na igreja, mas antes de entrar sente alguma coisa na entrada, alguma coisa sobrenatural e aterrorizante tinha acontecido ali, chega a ficar tonta com tamanha energia no local, recuperada do baque entra na igreja vai direto no padre que estava no confessionário falando com uma pessoas.

- Saia ninguém está interessado nas tuas perversões mini mulher. – a mulher baixinha que estava se confessando com o padre olha torto pra ela.

- O que é isso? – ela pergunta ao padre.

- Me desculpa Carla, vamos terminar isso outra hora. – a mulher se levanta e vai embora aborrecida.

- O que você quer padre? – Andressa falou entrando no confessionário.


- Precisa mesmo me chamar de padre?

- Por favor, não começa, fala de uma vez, estou cansada quero ir pra casa.

- Tem uma menina no meu quarto desmaiada... – ele não conseguiu terminar a frase.

- Não acredito que isso está acontecendo de novo!

- Não é nada disso Andressa, é outra coisa venha comigo. – o padre então a leva ao seu quarto.

- Quem é essa?

- Karine, alguma coisa muito poderosa está em volta dela, ela precisa da sua ajuda. – o padre então toca o seu braço.

- Não toque em mim, nunca toque em mim, você sabe muito bem disso, qual o seu problema? Desgraçado, a nossa consulta acaba aqui. – alguns flashes dá sua infância passam pela sua cabeça.

- Depois desse tempo todo ainda não pôde me perdoar.

- Adeus padre, boa sorte com a sua missão. – Andressa sai atordoada.

- Podia pelo menos não me chamar de padre, apenas... – ele não teve coragem de terminar a frase.

Alguns dias se passaram Andressa gastou quase todo o seu dinheiro pagando diversas dívidas que tinha com pessoas perigosas, só tinha sobrado dinheiro pra comprar algumas bebidas, novamente estava sem dinheiro. Depois de beber algumas doses de whisky no bar ela vai meio que cambaleando pro seu apartamento, passa pelo corredor com dificuldade e encontra a sua vizinha do apartamento ao lado, uma velha rabugenta que lhe dá um olhar de desaprovação. Andressa senta no seu sofá com sua garrafa de vodka, bebe no gargalo liga a televisão quando escuta uns sinos percebe que era natal, desliga a tv e bebe sozinha no silêncio de seu apartamento.