"Tornei-me insano, com longos intervalos de uma horrível sanidade" - Edgar Allan Poe

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Fome Humana



A família jantava tranquilamente na mesa onde uma farta refeição foi servida, as crianças sorriam com a boca cheia e os pais com os olhos brilhando por proporcionar uma agradável e divertida janta. Para eles nada no mundo podia estragar aquele maravilhoso momento em família. Vera servia a sobremesa as suas duas filhas enquanto o marido se servia de um amargo cafezinho depois da farta refeição. O celular toca e Vera se distrai conversando enquanto Ana e Vivian fazem bagunça na cozinha, atiram comida uma na outra sendo observadas por Adão que só ria da cena toda.

- Mor! Pelo amor de deus colabora, por favor!

- Eu não vou me meter em briga nenhuma. – Adão falou rindo.

- Ana e Vivian, chega com isso, quando eu sair do telefone vocês vão arrumar essa bagunça toda, vocês três aliás.

- O que? Eu tô quieto aqui, não fiz nada. – Falou caindo na gargalhada.

O clima era tão bom que eles não perceberam que o rex, o cachorro da casa, havia sumido. Adão já estava na poltrona lendo o jornal, e as crianças todas sujas de comida e sobremesa.

- Mãe! Mãe! Cadê o rex? – Ana o estava procurando pela cozinha e no quarto.

- Só um pouquinho filha, ainda to no telefone.

Ana caminha até o pátio, foi até o portão e se assusta voltando correndo pra dentro de casa.


- Mãe tem alguém no portão!

As luzes da rua piscavam sem parar, o silencio pairava em toda a extensão da rua, o clima era ameno, Vera ficou no telefone mais alguns minutos, enquanto Adão já cochilava na poltrona. Ana ficou na porta da cozinha olhando fixamente pro portão onde alguém a tinha assustado. Um latido seguido por outro só que de dor e agonia fez Vera largar o celular.

- Acorda Adão! Cadê o rex?

- O que? O que houve? – Adão acorda assustado.

- Escutei alguma coisa na rua, vai lá ver.

- Não é nada, deve ser só o rex com algum gato. – Adão volta a cochilar.


Vera chama por diversas vezes o cachorro, mas não tem resposta, ela procura pela casa também sem resposta. Ana estava sentada no chão nos pés de seu pai muito assustada enquanto Vivian ainda brincava com a comida. Um estrondo vindo do portão assusta a todos, Adão acorda e Ana começa a chorar, alguma coisa tinha sido arremessada contra o portão. Adão e Vera caminham atentamente até o portão, mandam as meninas ficarem na cozinha, estava escuro no lado de fora, as luzes da rua estavam todas apagadas, o que havia se chocado contra o portão rolou um pouco mais pra longe com o impacto e a escuridão o mantinha em segredo.

Adão olha a rua deserta procurando ver alguém naquela escuridão, não viu ninguém então abriu o portão com cuidado, chegou perto e viu que era o seu cachorro rex totalmente mutilado, Adão se apavora, mas não teve tempo de fazer nada, um martelo o acerta na cabeça em cheio, ele cai duro no chão desacordado, Vera dá um grito de terror e corre pra casa apavorada e abraça suas filhas.

Nada mais aconteceu durante os minutos seguintes, Vera continuou abraçada nas suas filhas enquanto Adão continuava estirado no chão desacordado.

- Fiquem aqui meninas, eu vou ver como está o papai, não saiam daqui, entenderam?

- Sim mãe. – Ambas estavam muito assustadas agora.

Vera notou que seu celular havia sumido e o telefone estava mudo, ela caminha até o portão, mas antes que pudesse chegar a seu marido, uma criança com uma máscara de porco aparece e fica parada na frente de Adão.

- Quem é você? Chame alguém, por favor!

- Claro! Mãe, pai podem vir. – A criança chamou os seus pais que também estavam com máscaras, o homem com uma máscara de cavalo e a mulher com a de um cachorro.

Vera se assusta com aquelas duas presenças que apareceram no meio da escuridão. O homem retira da cintura uma machadinha e crava na cabeça de Adão que morre instantaneamente com o golpe, antes que pudesse esboçar uma reação aquilo tudo que estava acontecendo no momento, à mulher com a máscara de cachorro invade a casa correndo e derruba Vera. Ela era muito forte e não teve dificuldade de dominar Vera e amarra-la juntos com suas filhas nas cadeiras da mesa. O homem junto com seu filho vinha trazendo o corpo de Adão já sem vida com o sangue escorrendo pelo caminho.
- Vamos jantar então! – Disse o homem sob os aplausos de sua mulher e filho.

- Por favor, parem! O que vocês estão fazendo? – Vera estava aos prantos.


Com o machadinho o homem arranca os braços e Adão, Vera e as meninas começam a gritar desesperadas, a mulher então coloca mordaças na boca das três. O homem continua agora arrancando as pernas, da sua cintura ele tira um facão super afiado e corta pedaços de Adão, tira fatias da bunda e das coxas, pega uma panela e liga o fogo enquanto cantarola uma música.

- Vamos aproveitar esse molho aqui, deve estar delicioso.

A mulher e seu filho com os pratos vazios na mão esperando um pedaço da carne de Adão, eles riam e se divertiam enquanto esperavam a refeição, Vera e suas filhas choravam sem parar. Finalmente a carne estava pronta, o homem serve e também se senta a mesa, os três comem por uma abertura nas máscaras. Ele tira a mordaça delas e força comerem um pedaço, Vera e suas filhas vomitam várias vezes, o homem se irrita e dá socos no rosto de Vera, a deixando toda machucada, a sua irritação foi tanta que ele quebra a cozinha toda, deixando até sua mulher e filho acuados no canto. As meninas que tinham caído no chão com a fúria do homem, conseguem se desamarrar e correm pra rua, mas foram impedidas pela mulher e o filho, o homem pega o facão e corta a garganta das duas, que agonizam durante alguns minutos antes de morrer sob os olhares desesperados de Vera, que amarrada tenta em vão se soltar.

A família canibal pega as suas coisas e um pote com pedaços da carne das meninas que o homem tirou com o facão e desaparecem na escuridão da rua. Vera ficou imóvel olhando pra frente com os olhos fixos durante algumas horas, fez muito esforço e conseguiu se soltar, o dia já estava pra amanhecer, Vera caminha pela cozinha e beija o que sobrou do seu marido e filhas, pega o telefone que havia voltado a funcionar e liga pra polícia.

- MORTOS! FAMÍLIA! EU MORTA! MATARAM! – Ela disse catatônica.

- O que senhora? Repita por favor.

Vera caminha até a mesa com os olhos fixos, pega uma faca e enfia na garganta.