"Tornei-me insano, com longos intervalos de uma horrível sanidade" - Edgar Allan Poe

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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Nuvem Passageira



Aquela chuva no meio da madrugada não estava me deixando dormir, a cada gota que caia no meu telhado era um inferno na terra, a luz estava piscando constantemente e a cada trovoada que iluminava minha sala sentia um calafrio, não que tivesse medo dos trovões, mas aquela chuva estava diferente. Olhei pela janela e uma nuvem estranha estava acima de mim, devia ser loucura da minha cabeça, quase três da madruga e ainda não tinha fechado os olhos, isso que tinha acordado cedo pela manhã, senti alguma coisa tocar os meus pés e levantei.

Fiquei caminhando de um lado pro outro esperando que o sono viesse, tinha muita coisa pra fazer no dia seguinte e essa insônia iria estragar meu dia, decidi ir até a cozinha tomar um copo de leite, sem ascender a luz vim tateando pelas paredes, a cada trovoada tudo se iluminava, minhas janelas de vidro não foram uma boa ideia no momento, abri a geladeira e tomei um choque, derrubei o copo nos meus pés, os vidros se espalharam por todo o chão, me virei pra não pisar neles bem na hora que outra trovoada clareou a cozinha, vi uma pessoa sentada na minha mesa, com o susto caí pra trás de costas no chão coberto pelos cacos de vidro.

Demorei pra me levantar e tirar os cacos das costas, olhei novamente pra mesa apavorado, mas estava completamente vazia, a chuva cada vez mais forte parecia que ia demorar a noite inteira, ainda com o coração acelerado com a visão comecei a varrer e juntar os cacos, fiquei com a luz acessa por apenas alguns minutos, a energia tinha acabado, acendi uma vela e tentei continuar varrendo, uma mão segura o meu pescoço pelas minhas costas, senti todo o meu corpo gelar de medo, minhas pernas fraquejaram e senti um pavor indescritível.

Acendi o maior número de velas possível, não parava de tremer foi difícil acende-las por isso, aquela nuvem esquisita ainda estava encima da minha casa, era mais escura que as outras e a cada trovão que clareava tinha a impressão de poder ver um rosto ali.


Na parte de cima da porta grudado no telhado apareceu um volume escondido na sombra, me aproximei devagar tremendo com uma vela na mão, era alguma criatura tão preta quanto carvão, gritei pra ela sair dali, mas continuou imóvel, atirei a capa de um dvd e continuou no mesmo lugar. Peguei a maior vela que tinha e aproximei as chamas daquilo, um grito agudo e apavorante saiu pela boca cheia de dentes da criatura, cai no chão novamente e me queimei com a parafina. A criatura sumiu do teto, levantei e voltei a aproximar a vela de onde estava, tinha deixado alguma gosma roxa que escorria pela parede.

Meu coração parecia que ia sair pelo meu peito, a única coisa que pude pensar no momento foi sair dali, não sabia pra onde nessa chuva e a essa hora, mas precisava escapar de qualquer jeito, peguei as chaves e quando estava abrindo a porta a criatura me puxa pelos pés e me arrasta para o quarto, tentei me segurar no sofá, mas foi em vão a criatura era muito forte.

Me virou e pulou pra cima de mim mostrando toda a sua monstruosidade, com suas mãos que mais pareciam garras de águia, abriu minha boca e vomitou dentro dela a mesma gosma roxa que escorria pela parede, lambei meu rosto com aquela língua gigantesca, fui perdendo as forças até apagar. Acordei no dia seguinte deitado na minha cama, só podia ter sido um pesadelo tudo aquilo, quando passo pela porta noto uma mancha roxa na parede.



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