"Tornei-me insano, com longos intervalos de uma horrível sanidade" - Edgar Allan Poe

W. R. SANTHOS

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Porto Alegre, Rs, Brazil
Escritor. Pintor. Cineasta Amador.

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Força Assassina



Minha mãe sempre dizia que nossa família tinha grandes segredos, segredos que poderiam mudar toda a humanidade, mudar a percepção que eles tinham do mundo em si, e o mundo todo nos temeria. Ela morreu antes de me contar, e como meu pai sumiu há anos, eu não tinha nenhum outro parente fui enviado pra um orfanato, onde fui expulso desse e de diversos outros, as vezes eu nem sabia o motivo de estar sendo expulso, até que finalmente me emancipei, consegui um emprego, uma namorada, consegui ter uma vida normal, mas estou contando isso apenas pra relatar os eventos que aconteceram  no dia 12 de setembro de 2001, um dia depois da queda das Torres Gêmeas, se isso é coincidência ou não, ainda não descobri, sem mais enrolação fique com o evento.

Era uma típica noite de verão na escola técnica que Júlio estudava, o clima estava abafado e seco, todos reclamavam do calor que estava fazendo, mas nada fora do normal naquele horário. O professor estava atrasado e a turma estava fazendo a sua bagunça, menos Victor que não estava passando bem, talvez tivesse comido alguma coisa estragada ou algo que não lhe fez bem.



A escola técnica estava vazia com exceção dessa turma, por causa dos atentados nos Estados Unidos a maioria dos alunos não apareceu, mas essa turma tinha uma prova importante e não podiam perde-la. Victor estava quieto no seu canto sofrendo das dores no estomago, só observando a bagunça que Júlio estava organizando com a turma, eles não se davam bem, diversas vezes Júlio ameaçou bater em Victor durante todo o ano. Victor era um típico nerd tímido, óculos fundo de garrafa, alto desengonçado, roupas de velho, ele chamava praticamente o ataque de valentões populares como Júlio.

Quando finalmente o professor chegou foi prontamente aplicando a prova, foi longa e chata, todos estavam tensos porque a maioria não tinha estudado, já era quase onze horas da noite e ninguém tinha terminado, metade das luzes já tinham sido apagadas e vários funcionários tinham ido embora. Victor fica tonto e vomita no chão da sala, os que não botaram a mão na boca de nojo começaram a rir, e Júlio ria muito mais alto apontando pra Victor, até o professor deu uma tímida risada.


Aquele momento de nojo e risadas durou pouco, todos escutam um alto barulho de correntes arrastando pelo chão, se fez um silencio na sala, o professor saiu no corredor pra verificar o que estava acontecendo, o prédio estava vazio com apenas alguns lugares ainda iluminados, ele não viu nada, todos acharam que era apenas uma brincadeira de algum aluno troll.

O clima de brincadeira acabou rapidamente quando o professor que estava no corredor foi jogado com força contra a porta da sala, e depois é puxado pelo corredor até desaparecer na escuridão. Todos os alunos ficam assustados, ficam olhando pelas janelas apavorados, Júlio era o mais corajoso e sai pela porta chamando pelo professor, mas volta em seguida, pois Victor estava se contorcendo no chão e babando, Júlio o chuta diversas vezes até que ele para de se contorcer e fica desacordado, não teve tempo nem deles se recuperarem, pedaços do corpo do professor são jogados pra dentro da sala, braços, pernas, tripas acertam os alunos, o pavor agora tinha tomado conta, a gritaria das mulheres era ensurdecedor, Júlio tenta botar ordem no caos, mas em vão.


Victor acorda com a mente ainda turva, e se apavora com a cena que vê dentro da sala, praticamente ele estava em um rio vermelho, a carnificina era tanta que era praticamente impossível identificar que membros eram de quem, até as paredes estavam pintadas de vermelho. Tripas misturadas com tripas de outros alunos, braços e pernas rasgados em diferentes tamanhos, o mais estranho eram os corações empilhados no canto da sala, como se estivessem sido separados pra alguma coisa especial. Victor estava confuso sua cabeça estava doendo, tenta sair dali até que percebe movimento naquele rio de sangue, alguns pedaços dos corpos começam a se mexer, duas pernas se levantam, um troco feminino com os peitos de fora ainda intactos flutua pra cima das pernas, e dois braços se juntam ao tronco, e uma cabeça feminina se põe encima do tronco.




- Vem perder a sua virgindade amor. – “O Monstro Frankstein” se aproxima de Victor de maneira desengonçada com o sexo exposto. Ele tremendo de medo a deixa tirar a sua roupa enquanto ela o beija profundamente como se estivesse sugando a sua alma, ela monta nele e com um pedaço de osso crava no seu estomago.


Júlio observa tudo pela janela com um sorriso no rosto, seus olhos estavam brancos, o monstro de corpos mortos depois de acabar com Victor volta ao seu estado no chão de corpos em pedaços. Júlio lava suas mãos no banheiro, ajeita a sua roupa pega a sua mochila e vai embora.

Assim que Júlio sai pra rua pela porta principal da escola, um grupo de pessoas com vestes longas como capas e os rostos escondidos por capuzes longos estavam a sua espera, ele se assusta, seus olhos ficam brancos novamente, mas antes que pudesse fazer alguma coisa um dos encapuzados se aproxima e tira o capuz, era a sua mãe, que ele achava que estava morta.

- Mãe?

- Venha conosco filho.

- o que eu sou mãe?


- Deus!



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Fantoche




A casa de bonecos não ficava muito longe da sua casa, Jéssica dispensou o carro e foi a pé, logo teria que vende-lo por causa da situação financeira difícil que estavam enfrentando ela e seu marido. Essa loja dava certos calafrios nela, aqueles bonecos de pano com seus olhos fixos como se estivessem esperando a chance de piscar. Carlos era mágico, mas gostava bastante da ideia de se apresentar com bonecos de ventriloco, chamaria bastante público, era o que eles precisavam no momento.


Tinha bonecos de todos os tipos; grandes; pequenos; negros; brancos; azuis; verdes; alguns tinham corpos inteiros, outros da cintura pra cima; mulheres; homens; bonecos de animais também, muitos deles Jéssica achou horrorosos. O senhor que a atendeu também era bastante estranho, tinha quase certeza que em todo o tempo que estivera com ele não tinha piscado uma vez se quer, seu rosto parecia daqueles famosos que exageravam nas plásticas, parecia de cera sem expressão.


O pó tomava conta do local, diversas vezes ela teve que parar pra espirrar, depois de quase meia hora caminhando pra lá e pra cá na loja, ela finalmente encontrou o boneco perfeito, era até parecido com seu marido, tinha um pouco mais de um metro e meio de altura, cabelos vermelhos curtos, a boca desenhada em forma de sorriso e bochechas rosadas.

O boneco que ela escolheu e apelidou de Jr. era bem pesado, mas muito bem feito, tinha um buraco nas costas pra mão de Carlos o controlar, depois de decidida ela comprou. Quando chegou em casa ele quase chorou de alegria com o presente de sua amada esposa, era perfeito, tudo que ele queria, sua felicidade era tanta que decidiu fazer o jantar, a comida favorita de sua esposa, Strogonoff.

Depois de um lindo e delicioso jantar Carlos decidiu treinar um pouco com o boneco antes de se deitar, Jéssica adormeceu o esperando. Ao acordar ela sentiu uma mão no seu rosto e movimento no seu lado, ainda com os olhos fechados perguntou porque ele ainda estava deitado se tinha que levantar cedo, mas ao abrir os olhos não era Carlos que estava na cama ao seu lado, mas sim o boneco Jr.


Jéssica levanta assustada tinha certeza que sentiu alguém se movimentando ao seu lado, mas era o boneca que estava ali deitado sem vida, gritou por Carlos, mas ele não estava em casa. Ela se levantou deixando o boneco na cama foi tomar banho, pois também precisava sair, enquanto estava no chuveiro teve a impressão que estavam a observando.

O dia demorou a passar o clima abafado e o céu nublado não ajudavam muito, mas mesmo assim Carlos estava empolgado pra voltar pra casa e continuar treinando com seu novíssimo boneco. Já tinha comentado com seus amigos que começaria uma nova atração em breve, assim que chegou em casa foi direto pegar o boneco, sem ao menos dar um beijo em Jéssica que estava vendo televisão, que ficou irritadíssima.


A semana foi passando e Carlos estava cada vez mais viciado no boneco, treinava diversas falas, movimentos, ficava mais tempo com Jr. do que com Jéssica, e ela não estava gostando nada disso.

- O que foi essa mordida na tua mão? – Jéssica perguntou quando viu a marca de dentes na mão de Carlos.

- Pior que eu não sei, viu algum bicho por aí de noite? – Ele respondeu meio confuso, parecia mesmo não saber da origem do machucado.

- Não, mas por que não pergunta pra esse boneco, ele deve saber, vocês parecem um casal agora, já que passa o tempo todo com ele. – Ela pareceu não acreditar nele.

- O nome dele é Jr.

- Eu não to ouvindo isso, dá licença eu vou me deitar. – Jéssica foi pro seu quarto muito irritada.

Jéssica adormeceu rapidamente estava muito cansada, acordou de madrugada pra ir ao banheiro, Carlos não estava na cama, abriu a porta devagar e escutou uma conversa entre Carlos e o boneco, achou estranho, mas pensou ser apenas treinamento pra a apresentação, foi ao banheiro depois voltou a dormir. Quando acordou pela manhã o boneco estava novamente deitado ao seu lado, mas dessa vez nos braços de Carlos que dormia profundamente.
- Já acordou Jéssica? Estava esperando por ti. – A boca do boneco se mexeu enquanto ele se virava pra ela.

- Tá de brincadeira comigo né Carlos? Pode para com essa palhaçada. – Depois do pequeno susto ela falou.
- Não existe palhaçada querida, eu estou no comando. – O boneco continuou mexendo a boca, Jéssica levanta irritada.

- O que foi? O que está acontecendo? Droga estou atrasado. – Carlos aparentemente havia despertado só agora, mas não convenceu Jéssica.

- Não se faça de inocente, tentando me assustar com esse boneco, você tá ficando maluco só pode.

- O que? Eu acabei de acordar, foi tu que colocou o Jr. aqui? Eu deixei ele na sala. – Carlos novamente parecia confuso.

- Não me faça de boba, por favor! – Jéssica foi tomar o seu banho enquanto Carlos sentiu seu braço doer.
Hoje Carlos ia fazer a sua primeira apresentação com o boneco de ventriloco em uma festa infantil, Jéssica decidiu ir junto pra prestigiar o seu marido e também ficar de olho nele por causa do jeito estranho que vinha se comportando.

Carlos fez as apresentações de mágica super feliz como sempre, mas depois que colocou o braço dentro do boneco e começou a sua apresentação como ventrílogo, ele mudou, ficou mais sério, fez piadas pesadas, falou palavrões, gestos obscenos, os pais das crianças ficaram chocados, e ele foi expulso do lugar.


Durante toda a viagem de volta Carlos ficou calado apenas olhava pra frente com a expressão vazia como se estivesse em transe, Jéssica estava preocupada, ele ainda estava com o boneco no braço que se mexia constantemente, o que estava deixando ela nervosa e desconfortável. Assim que chegaram em casa ele se sentou no sofá e ali ficou, olhando pra frente sem se mexer, enquanto o boneco no seu braço parecia estar vivo e consciente de tudo a sua volta.

- Eu preciso de você, aliás, eu acho que te amo. – A voz saiu enquanto o Jr. mexia a boca, Jéssica olhava só pra seu marido ignorando o boneco.

- Eu também te amo Carlos, mas o que está acontecendo? – Ela se aproximou dele e segurou seu rosto com as mãos.

- Carlos não existe mais, apenas eu meu amor. – O braço de Carlos levantou com o boneco. – Eu estou no controle, fale apenas comigo agora, se quiser que seu marido permaneça vivo.

- Carlos que tipo de brincadeira é essa?

- Não é brincadeira Jéssica, entenda de uma vez por todas, ou quer que eu me enfureça. – O corpo de Carlos levantou, com a outra mão deu um tapa na cara de Jéssica. – Agora sente, viu como esse corpo agora é meu. Agora nós vamos viver uma vida feliz juntos.

Jéssica estava ajoelhada na sua frente chorando com a mão na boca, o corpo de Carlos estica o braço com Jr. até se aproximar bem perto dela, pode perceber que o boneco estava definitivamente vivo, ele afasta as mãos dela do rosto e a beija na boca, uma sensação diferente passa pelo seu corpo e ela se entrega ao boneco.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Feitiço Africano



A casa estava cercada, apesar das grossas cortinas que cobriam as janelas, nitidamente dava pra ver as tochas incandescentes que formavam um murro de fogo quase que intransponível pra quem quisesse ultrapassa-la. A gritaria no lado de fora era alta, uma voz parecia se destacar na multidão de negros raivosos querendo vingança contra seus senhorios, seu nome era Niara, tratada pelos escravos como a reencarnação da deusa OYÁ, que em outros países era conhecida como Iansã, essa deusa surge como uma autentica guerreira; está presente tanto nos campos de batalha; como nos caminhos cheio de luta.

Adelaide “mão pesada” como era conhecida entre os negros porque gostava de chicotear ela mesmo alguns escravos fujões, e quem pensa que por ser mulher ela batia mais fraco que o capataz, se enganava, pois seu apelido já demonstrava isso. O seu marido era um coronel com dezenas de mortes nas costas, ao contrário de sua mulher que adorava punir, ele adorava matar, principalmente aqueles que ficavam doentes ou os que não podiam mais dar lucros. O casal tinha duas filhas que eram conhecidas por suas feiuras, e também por obrigar alguns escravos a dormir com elas, o que era um boato absurdo para o Joaquim Fonseca.

- Vamos meu povo, vamos acabar com esses tiranos, a nossa era começa agora. – Niara gritava em meio ao alvoroço.

Joaquim pega a espingarda que estava com o capataz, abre uma das cortinas e mira em Niara e atira, a bala não chega a atingi-la, um negro pula na sua frente e recebe a bala, assim acontece com outros três disparos dele. Todos os outros funcionários da fazenda já haviam fugido, só restavam na casa o casal, suas filhas e o capataz.

A gritaria silenciou, houvesse apenas um canto africano bem baixinho em coro, aos poucos as tochas foram sendo apagadas, Niara começou a recitar algumas palavras, relâmpagos começaram a cruzar o céu, mesmo sem nenhum indicio de chuva, o vento ficou mais forte, o capataz tremia de medo com o que estava por vir.

- O que vosmicê tem? - Joaquim perguntou.

- Nunca deixe eles cantarem juntos... Nunca deixe eles cantarem juntos.

Essas palavras do capataz fizeram Adelaide "mão pesada" abraçar as suas filhas, enquanto Joaquim observava pela janela Niara se contorcer pelo chão, depois levitar rodopiando no ar, a lua desapareceu do céu e com um estalo metálico seco a cantoria cessou.

O silêncio tomou conta da fazenda, todos os escravos estavam calados, dentro da casa ninguém também se atrevia a pronunciar palavra alguma. O clima tinha mudado, eles podiam perceber que alguma coisa estava pra acontecer, a temperatura aos poucos foi caindo até eles ficarem tremendo de frio.



Uma forte batida na porta fez algumas velas da casa caírem, o capataz puxou sua espingarda, estava tremendo muito, na segunda batida ele carregou e atirou. Outra batida na porta mais forte ainda, e novamente o capataz dispara. Joaquim manda sua mulher e suas filhas subirem pro segundo andar, apavoradas elas foram.

Na próxima batida à porta, foi despedaçada como uma folha de papel, um dos pedaços de madeira voou e cravou na barriga do capataz que agonizou no chão. Joaquim que estava no chão se arrastou tentando fugir, mas foi pego por uma força invisível que o joga de um lado para o outro, seu nariz agora escorria sangue, mas quando achou que já tinha terminado é jogado com violência pra fora da casa caindo no meio dos escravos.
Com a visão embaçada, ele vê Niara se aproximar caminhando devagar, até chegar e falar no seu ouvido. – Vosmicê se lembra quando eu era apenas uma negrinha inocente? Quando me tirava da senzala e levava pra sua cama, pois bem eu nunca esqueci. Não importava se eu ainda não tivesse sangrado. – Ela puxou uma faca. – A primeira facada é minha. – E assim o fez, com uma estocada firme no seu peito, depois ele foi apunhalado por diversos escravos ao mesmo tempo.

Niara caminhou até a casa, tinha alguma coisa ao seu redor, alguma força superior caminhava ao seu lado. Adelaida estava na entrada da escada com seu chicote, quase que babando de raiva.

- Sua escrava imunda, saia da minha casa, eu amaldiçoo todos esses negros nojentos, vão pro inferno.


- É Vosmicê que vai pra lá. – Niara ficou com os olhos brancos.
Adelaide foi puxada com violência aos pés de Niara.

- Não vou precisar sujar minhas mãos com Vosmicê. – Falou com o pé na cara dela. – Vou sujar com suas filhas horrorosas. – Fez um sinal com as mãos e as duas foram trazidas até ela.


Adelaida não conseguia se mexer mais, estava paralisada por uma força enorme, só pode assistir Niara passar a faca na garganta das duas, degolou ambas, enquanto a mãe nada podia fazer, nem ao menos gritar. Do sangue das duas se formou uma criatura com enormes chifres, a “mão pesada” chorava desesperada tentando se mexer em vão, a criatura a pegou pela cintura colocou-a no ombro e desapareceu na escuridão.


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