"Tornei-me insano, com longos intervalos de uma horrível sanidade" - Edgar Allan Poe

W. R. SANTHOS

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Porto Alegre, Rs, Brazil
Escritor. Pintor. Cineasta Amador.

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

JUSTIÇA SANGRENTA - by Markos Vinicius



 Olhei pro teto, e senti um certo arrepio cruzando minha espinha bem lentamente. Aqueles olhos manhosos num tom verde esmaecido pareciam poder ver todo o conteúdo da minha alma. Desviei o rosto, mas de relance podia acompanhar a menininha que se movia de modo afetado no teto branco de meu quarto abafado. Aquilo era loucura, ninguém pode engatinhar no teto sobre minha cabeça, sem sofrer os efeitos da gravidade. Mas aquela menina, com o rosto deformado e a roupa puída e suja podia. Ela caminhava pelo teto com leveza e um arrastar de pés insuportável. Apenas a face daquela criatura poderia despertar o grito mais profundo do mais corajoso entre nós. Uma lagrima começou a escorrer do canto de meus olhos. Estava frio. Frio como naquele dia. Frio como o cadáver que jazia debaixo dos pneus de meu carro importado. O sangue escorria vagarosamente pra valeta, enquanto gritavam desesperadamente o nome dela... Não! Preciso parar de pensar nisso. Fechei os olhos tentando escurecer todo o meu sofrimento e as imagens que me invadiam. Eu não queria ter feito aquilo. Eu sequer imaginava uma cena daquelas na minha vida. Quantas vezes já havia dirigido alcoolizado, e nunca sequer havia matado um cachorro que fosse. Mas porque meu Deus aquela noite tinha que ser diferente? A menina atravessando fora da faixa pra pegar a bola que quicava no meio da rua. O velocímetro marcando 80 km/h, numa ruazinha estreita da periferia da cidade. O baque forte, o guincho dos pneus no asfalto rasgando a noite. Meus reflexos lentos, me debatia entre o airbag. A cabeça confusa tentava entender a merda que havia feito. O carro só parou depois de arrastar a garota por cerca de 50 metros pela rua abaixo e bater num poste publico. Minutos foram transcorrendo, os quais quase não me recordo de nada. Só me lembro de alguém tentando me tirar das ferragens a dor lancinante nas pernas. A sirene da ambulância ressoando longe como num sonho. Sangue, muito sangue, como num rastro macabro que levava a pobrezinha sob toneladas de ferro.



Depois disso, apenas voltei a minha consciência, horas mais tarde numa cama confortável de um hospital muito bem pago. A cabeça rodava, e a ressaca provocava dores de cabeça terríveis. Demorei até assimilar tudo e entender o que havia se passado. As luzes mortiças daquele quarto branco; e os bips dos aparelhos conectados ao meu corpo não ajudavam muito. Talvez o que veio feito um sinistro balde de água fria para refrescar meus pensamentos, foi a pessoa que me olhava amedrontada num canto escuro da enfermaria. Um tremor percorreu meu corpo de cima abaixo. O estado daquela menina aumentou drasticamente o ritmo de meus batimentos cardíacos. Estávamos em um hospital e era perfeitamente normal pessoas feridas, ou dilaceradas. Mas era incrivelmente estranho, uma pessoa naquelas circunstancias, poder andar e encarar com um ódio contido se manifestando nas Iris verdes e intactas. Realmente os olhos eram a única parte daquele corpo que parecia não ter sofrido nenhum dano. Os ossos da face estavam esmagados e sangrentos, os cabelos desgrenhados e sujos, o tórax parecia afundado, e os pés... um arrepio rápido na minha espinha... os pés estavam virados numa posição a noventa graus do corpo abatido, deixando os ossos do tornozelo expostos. Fechei os olhos virando a cabeça. Lagrimas umedeceram meu rosto. Lembranças da noite passada infestavam meu cérebro confuso. A batida foi forte sim, mas aqueles olhos eram inesquecíveis. A menina parada próxima a janela, o arremedo de carne e ossos, era a vitima de minha embriagues. A certeza foi crescendo dentro de minha alma. Ninguém pode resistir a um tranco daqueles depois ser arrastada brutalmente. Comecei a tremer e a me debater. As enfermeiras entraram correndo em meu socorro. Quando me dei conta, agulhas atravessaram meu braço, sedando minha mente e levando o perturbador desespero para longe de minha consciência.



Após dias conturbados de minha internação, em que via constantemente a menina povoando meus sonhos mais profundos. Pude voltar para meu lar. Com pesar e um terror devasso, fiquei sabendo aquilo que já imaginava. A menina de 12 anos, cujo nome era Karen, havia morrido a caminho do hospital. Um remorso me aniquilou naquele momento, quase não pude controlar as lagrimas. Eu não passava de uma merda de assassino maldito. Merecia apodrecer na cadeia. Mas um segundo e horrível sentimento entrou em cena com um baque forte e fatal: Eu havia visto um fantasma naquele dia no hospital! Se minha sanidade estivesse em ordem, como acreditava que estava, os olhos verdes e cheios de raiva direcionada a seu algoz, pertenciam a uma aparição.
Depois daquele dia não soube mais o que é ter paz. Aonde eu ia, aonde tentava procurar refugio para meu sofrimento, eu a via. Se fosse num churrasco com os amigos do trabalho, estremecia ao vislumbrar num canto escuro a menina deformada que me encarava; se estivesse transando com minha esposa, ao abrir os olhos a menina estava deitada no teto com sangue no rosto; atrás de mim no espelho do banheiro, sentada num banco do outro lado da rua. Não tinha pra onde correr, dizem que é impossível se esconder de um fantasma. Geralmente nesses momentos todos percebiam meu pavor e desespero. 

As mãos tremulas e a pele lívida realçavam as perguntas: “ que foi Vinicius? Até parece que viu um fantasma..”  E sim... eles estavam certos. Mas o segredo não foi revelado a nenhum deles, nem mesmo a Suélen minha querida esposa. Pois eu tinha medo que duvidassem de meu estado mental, tinha medo de ser tachado e internado como louco, ninguém era capaz de conceber espíritos atormentadores caminhando em nosso mundo real. Se não estivesse acontecendo em minha vida até mesmo eu duvidaria. Procurei ajuda profissional. Consultei-me com bons psicólogos, que alegaram um desequilíbrio normal causado pelo choque de ter assassinado uma pessoa. Remédios, calmantes, tratamentos prolongaram dias terríveis para mim, em que até mesmo em minhas horas noturnas de sono eu a via com freqüência sob meu carro, me olhando sem dizer uma só palavra, em pesadelos horríveis e tão reais.

Após o julgamento, em que pude contemplar os mesmo olhos furiosos e verdes da mãe da garota e sentir o peso de suas palavras “ Assassino!!!  Você me levou meu bebe!!!... Era tudo o que eu tinha, seu bastardo, filho de uma puta!!”.

Fui absolvido, tendo apenas que pagar uma leve pena comunitária. Karen também estava lá, acompanhou todo o julgamento, parada estática em pé no meio do corredor. Sangue lhe descia pela face, manchando o vestidinho branco e roto. Sai de cabeça baixa do tribunal, Quase contestando minha própria pena. Eu sabia o que de certo merecia, mas o dinheiro e o prestigio de meu nome como renomado advogado haviam falado mais alto. Entrei no carro sentindo uma grande tristeza tomando conta de mim, as nuvens que cobriam o céu naquele dia, derramaram sua chuva sobre a cidade, como se fossem as tristes lagrimas de um Deus justo, que chora por sua filha assassinada.

Ao chegar ao meu lar, sendo recebido com abraços efusivos e reconfortantes por Suélen; a primeira coisa que vi, foi Karen com seus pés arroxeados e perpendiculares saindo de trás da cortina da grande janela da sala de estar. JUSTIÇA “, estava escrito com sangue e a letra irregular de uma criança, sobre o branco impecável da cortina que contornava as formas escondidas da criatura. Corri em lagrimas para o banheiro.
Tentei me suicidar naquele dia, mas como nas outras cinco vezes frustradas, a coragem me faltou. Eu acabei descobrindo que na realidade era um covarde que nunca foi capaz de assumir suas próprias responsabilidades, e não tinha coragem nem para tirar sua própria vida. Acabei desistindo de tudo que me rodeava, o trabalho ficou de lado, a esposa que chorava pelos cantos da casa temendo pela saúde do marido e o silencio que impregnava sua alma, também foi esquecida. A única companhia que tinha, era a silenciosa e terrificante figura que passou a me acompanhar aonde fosse, com seu arrastar de pés característico e seu olhar ameaçador. Logo me vi, trancado em um dos quartos da casa, sendo tratado como um depressivo agudo e me levantando apenas para fazer minhas necessidades físicas. Estava destruído e acabado.

Voltando meus pensamentos para o presente, abri vagarosamente meus olhos, e a centímetros de meu travesseiro deitada de lados como eu, a têmpora sangrenta a mostra, o maxilar quebrado vazando pelo orifício aberto na face, e os olhos injetados a me encarar. Estremeci com o arrepio gelado que percorreu minha espinha. Nunca havia tido um contato tão próximo e insano. O sangue empapava o lençol sob seu corpinho, e um cheiro pútrido e nauseante envolvia minhas narinas. Segundos foram perpassando sem palavras, apenas lagrimas desciam de meus olhos inchados e vermelhos. O desespero e o medo tomaram conta de mim. Podia ver nitidamente a marca negra dos pneus sobre o tecido de seu vestido. O mínimo movimento do corpo daquela coisa causava insanidade. Fechei os olhos com força e encobri meu rosto com a coberta. Ali naquele escuro abafado da minha mente me sentia um pouco protegido. Fiquei assim um tempo incalculável, sem pensar em nada. Apenas minha Respiração entrecortada chegando aos ouvidos. Somente quando me senti capaz de raciocinar, fui descendo a coberta vagarosamente e abrindo os olhos aos poucos. O cheiro chegou primeiro do que a visão. Karen, ou seja lá o que fosse aquela criatura, permanecia do mesmo modo, o corpo encolhido, o cabelo loiro sujo de terra e lodo e o olhar... o olhar como se quisesse me dizer alguma coisa a muito esquecida. Respirei fundo tomando audácia:

- o... O que você... quer de mim?.. – minha voz soou profunda e embargada pelas lagrimas.
Silencio. Nenhuma voz aguda soando no aposento. Nenhuma voz fria rasgando meus tímpanos. Apenas uma voz doce chegando ao meu cérebro, uma voz como uma sugestão rápida soprada aos meus ouvidos. A boca da menina não se movera, mas eu havia captado muito bem aquelas palavras sutis. “Sua vida pela minha... sua alma pela minha” calafrios involuntários percorreram meu corpo de forma brutal e elétrica. Demorei me a assimilar tudo. Pensamentos fugiam de meu cérebro assustado. “Talvez devesse... Deus não!” tudo girava devagar. Cortei o fluxo, me levantando de supetão da cama. Silencio. Fui até a mesinha de cabeceira vasculhando a primeira gaveta. Papéis inúteis, camisinhas velhas, cabos de aparelhos celulares, enfim o que eu procurava. Uma pistola automática nove milímetros. Um pente com doze balas, mas apenas uma seria necessária. Sentei-me na cama engatilhando a arma. Um terror em forma de calafrio enrodilhou meu corpo inteiro, enquanto meu braço, oscilando, foi subindo devagar com a arma de encontro a minha têmpora direita. O cano colado em meu crânio. Olhos penetrantes a me encarar. Meu braço tremia incontrolavelmente. Fechei os olhos, buscando coragem. O gatilho parecia pesar toneladas. Senti lagrimas assomando em meus olhos. Não ia conseguir... era covarde demais para isso. Abri os olhos novamente, chorando copiosamente. A menina assistia silenciosamente a cena, ossos molares expostos, septo esmagado. Agora havia algo diferente de tudo que eu já vira naquele olhar verde misterioso, parecia que um novo tipo de sentimento havia nascido ali. Algo como a fria compaixão de uma vitima pelo seu malfeitor.

 Com um rangido estranho Karen se moveu de modo afetado, parecendo ser difícil fazê-lo, como se minúsculas cordas controlassem uma marionete gigante. Com asco vi aquela criatura rastejante se aproximar de mim. O cheiro nauseabundo me impregnou, enquanto uma mão cadavérica e gélida pousou sobre a minha, me fazendo ter sensações estranhas nunca dantes sentidas. Sangue escorria por sua face. Seu dedo arroxeado passou sobre o meu que segurava o gatilho. Olho no olho. “Deixa eu te ajudar meu querido...” uma sugestão rápida, antes que o gatilho ficasse leve e meu dedo sofresse uma impulsão. Um estampido ecoou na noite. Meu corpo ficou leve, e indiferente aos meus movimentos caiu pesadamente sobre o colchão. Um zumbido abafava minha audição, a cabeça lateja num pulsar intenso. O quarto girava numa espiral confusa. Tudo ao redor foi desaparecendo, enquanto  uma bola travava a entrada de oxigênio no meus pulmões. Tudo escureceu, mas uma coisa ainda era clara e mais nítida do que a escuridão e o medo. Com um vago imito de consciência, presenciei o ato diabólica que se apresentava a minha frente. Karen estava de pé, pairando sobre a escuridão, quase como se flutuasse. Sua pele começou a sofrer diversas rachaduras, que se espalharam como num chão árido de um deserto maldito. A pele seca não se demorou a esfarelar como se fosse um enorme casulo. Os pedaços foram caindo ao chão e a borboleta que se revelou era algo abstrato e inconcebível, como a escuridão que nos rodeava. Os olhos verdes se transformaram em dois globos escarlates e terríveis, a pele arroxeada característica dos mortos, deu lugar a um corpo musculoso de um breu intenso e maligno, mais negro do que as trevas. A boquinha delicada da menina se transformou em uma bocarra cheia de dentes pontiagudos e amarelados. E do limiar alto do crânio da criatura, dois chifres curvados como de bode assomaram brancos contrastando com o negrume intenso.

Meu corpo fumigava incapaz de se movimentar. E com um terror pior do que a morte, vi aquele demônio arrastar meu corpo e minha alma, com extrema violência, para dentro de um túnel escuro e fétido, onde vozes lamuriantes clamavam por piedade...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A Noiva





            “Quer casar comigo?”, foi com essas palavras que Carlos dentro de um restaurante chique em um bairro nobre do Rio de Janeiro pediu a mão de Danielle em casamento, ela apaixonada prontamente aceitou com um largo sorriso no rosto. Ela amava Carlos desde sempre, o casamento seria na maior e mais cara igreja do Rio, uma grande festa com todos os familiares e amigos, Danielle comprou um dos mais belos vestidos de noiva que estava disponível, não economizou nem um centavo no seu vestido branco, o véu e a grinalda eram de dar inveja as mais ricas princesas e digna dos mais lindos castelos, tudo seria perfeito e magico, nem um furacão podia varrer toda aquela felicidade que todos estavam sentindo.

             Finalmente o grande dia chegou, a igreja estava toda enfeitada, diversas flores e arranjos decoravam o local, um grande tapete vermelho que começava na porta da igreja e terminava no altar, a cerimonia iria acontecer no final da tarde. Danielle já pela manhã estava toda arrumada, sua ansiedade e nervosismo estavam altos, parte dela sabia que tudo tinha sido feito com extremo carinho e que nada daria errado, mas outra parte ainda estava com aquele friozinho na barriga imaginando que pudesse alguma coisa fora do esperado.

               A limusine já estava na porta, a hora havia chegado, ela desce as escadas com sua irmãs, o vestido de noiva era belíssimo branco como a neve, a felicidade estava esbanjando no rosto de Danielle, a igreja era perto de sua casa e então daqui alguns minutos ela seria esposa. Ela entra no carro, mas antes uma das suas irmãs estranha a rua estar muito deserta, elas entram no carro e partem.



                         Danielle e suas irmãs chegam na igreja, a porta se abre e a marcha nupcial começa a tocar, elas entram e a porta se fecha pra cerimonia. Um tio á leva até o altar, seu caminho até a felicidade havia começado, amigos, familiares, todos sorrindo felizes por ela e Danielle não continha a sua alegria, seu sorriso era enorme e seus passos eram majestosos até chegar a seu futuro marido no altar de frente pro padre.


                Tudo estava indo conforme o planejado, agora faltava pouco pro “sim” final, o “sim” que iria mudar a sua vida pra sempre. O discurso do padre já estava chegando ao fim e a pergunta definitiva se aproximava quando ouve-se uma batida na porta da igreja, o padre para o discurso na hora, pois a batida ecoou na igreja, todos se viraram pra porta, outra vez se ouve batidas na porta, mas dessa vez pareciam com mais urgência, um fotografo que estava perto da porta a abre, um homem coberto de sangue estava atirado no chão, mas ainda estava vivo, o fotografo tira algumas fotos enquanto o tio de Danielle que veio apressado saber  o que estava acontecendo puxa o homem pra dentro da igreja sem antes notar a rua completamente deserta, fecha a porta e nota uma grande mordida no seu braço direito onde um grande pedaço de carne havia sido arrancado, seus olhos estavam arregalados e fixos como se estivesse aterrorizado.

             A cerimonia havia sido interrompida por causa dos acontecimentos, Danielle estava nervosa e observava tudo de longe encima do altar com seu quase marido que resolver ver o que tinha acontecido mais de perto. O homem misterioso começa a se contorcer como se estivesse tendo uma convulsão, começa a babar uma espuma amarela e grossa, as pessoas que estavam por perto ficaram assustadas, as que estavam longe ficam tentando entender o que estava acontecendo. Danielle estava ainda mais nervosa depois que Carlos, seu noivo, a deixou sozinha no altar com o padre. 

                Depois de algum tempo se contorcendo e babando, Carlos consegue imobiliza-lo, o homem apaga, aparentemente ele havia morrido, pois parou de respirar, Carlos solta o homem, mas assim que vira o rosto pra falar com alguém sobre o ocorrido o homem acorda e morde a sua mão arrancando seu dedo mindinho, todos se afastam enquanto Carlos grita de dor, o homem levanta do chão todo torto, seus olhos estavam vermelhos, fitava as pessoas mastigando o dedo arrancado de Carlos, sua pele estava com uma estranha tonalidade esverdeada, no seu ferimento no braço direito saia um pus preto nojento, como num estalo de raiva o homem começa a correr atrás das pessoas na igreja, tentando agarra-las e morde-las, Carlos e os outros tentam segurar o homem que estava incontrolável, Carlos faz força excessiva e quebra o braço do homem, o fazendo ter uma fratura exposta, mas paro o espanto de todos o homem continuou como se nada tivesse acontecido.

              O homem mesmo com o braço quebrado consegue escapar de Carlos e das outras pessoas que o estavam segurando e agarra uma senhora a mordendo no pescoço, Carlos com um vaso cheio de areia joga na cabeça do homem quebrando o seu pescoço com o impacto, ele ficou apavorado, pois o homem se levantou novamente, a cena era bizarra, a cabeça caída no ombro com o pescoço quebrado não segurava mais, o sangue e baba escorria pelo canto da sua boca, definitivamente aquele homem era um morto-vivo.

                Todos estavam apavorados com aquela monstruosidade, Danielle ainda estava no altar com o padre sem saber direito o que estava acontecendo, o padre também estava ficando nervoso. Um dos convidados chega por trás do homem-zumbi e o acerta com uma cadeira de ferro esmagando parte de sua cabeça e tirando um pedaço do cérebro, o zumbi caí finalmente morto no chão. A senhora que foi mordida no pescoço pelo zumbi começa a ter as mesmas reações dele, babando e rosnando atrás das pessoas, eles tentam ligar pra ambulância, mas todos os celulares estavam mudos, alguns tios, primos e outros homens, discutem o que devem fazer e resolvem sair pra pedir ajuda nisso Carlos caí no chão passando mal, Danielle grita por ele e desce do altar correndo ao seu encontro, ele começa a se contorcer e a babar.



                  Mais batidas são escutadas na porta, mas dessa vez pareciam que eram dezenas de pessoas batendo e gemendo no outro lado num corro agonizante, Danielle tenta acudir Carlos mas ele se contorcia e babava demais até que subitamente ele para, Danielle se afasta, Carlos levanta sua expressão havia mudado, escorria sangue pelos seus olhos, uma espuma branca saia pela sua boca, ele parecia um cão brabo prestes a atacar, ao mesmo tempo que todos se afastavam as pessoas que estavam batendo na porta tentando entrar aos poucos conseguem abrir a porta e entrar. Carlos ataca o que estava mais perto dele, Danielle foge desesperada, a porta da igreja é aberta por completo e dezenas de zumbis entram, raivosos e com fome de carne humana eles atacam todos, é um verdadeiro banquete, velhos e crianças foram os primeiros a serem devorados sem nenhuma piedade, seus corpos eram rasgados como pedaços de papel, braços, pernas, cabeças rolavam pelo salão, a quantidade de sangue derramado mudou a cor da igreja.

               Danielle sobe as escadas até a sala do padre, olhou pra traz e teve vontade de voltar, seus amigos e parentes sendo devorados como animais, mas ela não podia fazer nada, o padre aparece e a empurra pra dentro da sala, antes que ele pudesse entrar também um zumbi o agarra pelas costas e o puxa pro chão, o morto-vivo morde o seu rosto enquanto outros corriam babando em direção de mais uma refeição, Danielle tentou puxar o padre pra dentro, mas quando viu a aproximação dos outros zumbis desistiu e se trancou na sala.


               Zumbis batiam na porta freneticamente, mesmo trancada a porta começa a ceder, ela puxa cadeira entre outras coisas  que encontra pela frente pra escorar na porta e se afasta sentado no chão com os joelhos no peito no fundo da sala vazia. Ela reza enquanto as investidas contra a porta continuam, a gritaria de desespero no salão era insuportável, tampa os ouvidos tentando abafar os sons, seu vestido de noiva estava manchado de sangue, ela sente nojo e rasga um pedaço.

               Danielle já não segurava mais o choro, mas quando o desespero estava tomando conta dela os barulhos e gritarias param, tudo tinha ficado num silêncio absoluto do nada, ela coloca os ouvidos na porta, mas o silêncio reinava, tira as coisas de frente da porta e a abre bem devagar, ainda temerosa espia do lado de fora, o corredor estava vazio, havia sangue no chão e nas paredes, ela avança olhando atentamente pra qualquer movimento, Danielle tem a primeira olhada no salão, havia um rio vermelho de sangue onde boiava diversos membros, pedaços de braços, crânios, olhos, intestinos, era impossível distinguir qualquer pessoa ali, ela não viu nenhum zumbi, passa com cuidado até chegar a grande porta que dava pra rua, ela esperava encontrar um caos na cidade, mas não foi o que viu, as ruas estavam normais, pessoas caminhando, carros passando, crianças brincando e nada de zumbis ou menção de um ataque. 

            Danielle fica confusa  se vira novamente pra dentro da igreja, o rio de sangue juntamente com os corpos em pedaços continuava no mesmo lugar, mas ela não estava numa igreja, mas sim num prédio abandonado caindo aos pedaços, ela não entende o que estava acontecendo, olha pra si mesma e o vestido de noiva não mais existia, ela vestia uma roupa hospitalar branca e na sua mão havia um facão e na outra uma arma, ela escuta sirenes vindo em sua direção larga o facão e a arma e vai embora caminhando sem direção.



sexta-feira, 3 de maio de 2013

O Demônio Reside Aqui




“Existem seres que vivem nas profundezas mais terríveis e sombrias do inferno onde a dor e o sofrimento soam como algo tão doce, pois coisas piores e inimagináveis acontecem lá, e quando um desses demônios escapa desse limbo e consegue vir pro nosso plano, tema, tema bastante, pois essas criaturas não temem rezas, anjos, santos e nem mesmo Deus”.

Noite, uma velha senhora dorme tranquilamente na sua cama, ela mora sozinha, seu marido com quem passou quase toda vida faleceu há alguns anos, ela acorda com um barulho vindo da cozinha, ela se levanta com dificuldade fazia semanas que estava com dores nos joelhos, mancando caminha até a cozinha e toma um copo de água, ela escuta uma voz vinda da sala e com o susto deixa o copo cair, pega o seu terço e vai até a lá, escuta diversos sussurros até chegar à origem deles na sala. Ela tinha uma grande estatua de São Pedro e um quadro da Santa Ceia na sala, o quadro estava um pouco torto então a senhora o ajeita e quando faz isso ela escutou mais sussurros e notou que vinha da estatua, aproxima o seu ouvido da estatua pra poder escutar melhor, algo dá uma fisgada na sua bochecha como se fosse um beliscão, ela se afasta assustada, uma leve brisa entra pela janela aberta que ela tinha certeza que havia fechado. 
A estatua de São Pedro começa a tremer e depois rodopiar como se estivesse ganhando vida, mas logo para e uma força começa a tomar conta do corpo da velha senhora que não consegue mais se mexer por contra própria, seus membros são arrancados com tamanha violência que o sangue e pedaços de carne da velha grudam na parede e no teto, uma sombra surge do chão com um formato humanoide e arranca a cabeça dela sem esforço e logo em seguida esmaga contra o chão fazendo o cérebro ficar espalhado por todo o lugar.

Um carro vinha em alta velocidade em uma estradinha de terra no meio de uma mata longe da cidade, um casal discutia dentro do carro, a briga estava feia, Ana e Dagoberto batiam boca aos gritos dentro do carro com muita violência, ele havia bebido na festa em que eles estavam e onde se originou a briga. Dagoberto à medida que gritava pisava mais no acelerador chegando perto dos 200 km, ele acusava ela de estar se esfregando em um cara durante a festa, Ana estava irritadíssima com as acusações e dava tapas no braço do namorado com bastante força enquanto gritava mais alto que ele, Dagoberto respondia aos tapas, ambos estavam visivelmente embriagados.

A estrada de chão batido tinha curvas perigosas em que Dagoberto derrapava sempre, tinha momentos em que ele nem olhava pra frente por causa da discussão com Ana, ela que também havia bebido além da conta não estava nem aí se seu namorado estava dirigindo perigosamente a única preocupação de ambos era a briga entre os dois. Eles entraram numa parte da estrada onde a iluminação era precária e a mata ainda mais fechada ao redor, em um piscar de olhos Dagoberto vê a sombra de uma pessoa parada no meio da estrada, como estava em alta velocidade parar era impossível então ele derrapa capotando diversas vezes até o carro parar de cabeça pra baixo.


Ana abre os olhos, o carro estava todo amassado, eles só não voaram longe porque por incrível que pareça eles estavam de cinto de segurança, Dagoberto estava desacordado, ela tira o cinto e caí no teto do carro, ela faz o mesmo com seu namorado que com a queda também acorda e só agora ela percebe um pedaço de ferro atravessado na sua perna, ainda dentro do carro ela retira com a ajuda de Dagoberto, além disso eles estavam com vários arranhões e cortes pelo corpo, eles finalmente conseguiram sair do carro com muita dificuldade, Dagoberto teve que ajudar Ana a andar pois a dor na perna a estava fazendo mancar.
A noite estava linda, a lua cheia brilhava no céu, eles começaram a andar pela estrada na esperança de pegar uma carona ou encontrar alguém, caminharam por quase uma hora até encontrarem uma casa velha de madeira dentro da mata fechada, Ana estava perdendo muito sangue por causa da sua perna machucada e ambos estavam cansados então resolveram ir até a casa ver se alguém morava lá, se tinha algo pra comer e curativos ou pelo menos ficar lá até amanhecer.

A casa era muito velha completamente tomada pelo mofo e por musgo verde que apodreceram quase toda a madeira da casa, na entrada da frente uma porta e uma pequena janela ambas quebradas, agora era obvio pra eles que ali não morava ninguém, havia também um pequeno cercado em volta da casa, mas a mata tinha tomado conta. Ana e Dagoberto entraram dentro da casa, ainda faltava muito pra amanhecer e eles precisavam descansar um pouco. A porta estava fechada, mas com um empurrão ela se abriu, as fechaduras estavam tão enferrujadas que quase se desmancharam quando foram forçadas, já dentro da casa caminharam com cuidado, pois as madeiras do chão que não quebravam quando eles passavam rangiam assustadoramente como se não quisessem a presença de ninguém, não era muito grande dentro, logo que passaram pela porta chegaram na sala que parecia com um cemitério tamanho o cheiro de podre que pairava no ar, havia alguns moveis tapados com um lençol que tinha uma camada enorme de mofo.




Em uma das janelas laterais Dagoberto vê um vulto passar entre as árvores no lado de fora, ele perde de vista o vulto quando Ana o chama reclamando de dor e não demora muito ela desmaia, ele nem teve tempo de socorrê-la porque em seguida diversos barulhos são escutados pela casa, como se mil pessoas estivessem batendo nas paredes, nas portas e nas janelas, Ana é puxada pra fora da casa por uma força invisível, Dagoberto não teve nem reação tamanha foi à velocidade que ela foi puxada, a porta se fecha com violência impedindo ele de ir atrás de Ana, ele assiste pela fresta Ana ser levada pro meio da floresta, ele tenta sair por alguma janela, mas inexplicavelmente todas estavam seladas por algum tipo de magia que o impedia de sair, logo ele escuta um grito de Ana no meio da floresta, um grito de dor agonizante, Dagoberto se desespera e leva um susto quando alguma coisa é arremessada pra dentro da casa quebrando uma janela, era a cabeça de Ana, a cabeça tinha sido arrancado com violência do seu pescoço, o seu rosto tinha um expressão congelada de medo, Dagoberto fica estático de pavor, mas não teve tempo de assimilar tudo aquilo, a porta é aberta e uma sombra com formato humano entra e chega perto de Dagoberto e sussurra no seu ouvido antes de arrancar todos os membros do seu corpo: - Bem-vindo aos portões do inferno.      

                      


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