"Tornei-me insano, com longos intervalos de uma horrível sanidade" - Edgar Allan Poe

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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A Candidata: Primeira Abdução


Aquele zumbido no meu ouvido parecia nunca querer parar, faz mais de uma semana que isso está me incomodando demais, e afetando meu emprego, escutei alguns colegas de outro setor cochichando Ana Paula pelos corredores, deviam estar reclamando de mim. Vou ter que ir em um médico ver isso o mais rápido possível antes que eu comece a enlouquecer. Em certos momentos do dia ele é quase inaudível, mas em outros dias, tinha a impressão que estavam construindo uma obra na minha cabeça, e uma furadeira estava entre os meus olhos, nesses dias me trancava em casa e me enchia de remédios.


Fui em vários médicos diferentes, mas sempre recebia a mesma resposta, minha cabeça estava em perfeito estado, nenhum problema era achado, nem físico e nem psicológico, isso já estava me consumindo. Perdia diversas horas de sono me revirando na cama sem conseguir me livrar desse zumbido maldito. Cheguei a um ponto certa vez, de pegar uma chave de fenda e enfiar na minha orelha até o ponto de começar a sangrar, era frequente bater minha cabeça nas portas e nas paredes para ganhar algum alívio da agonia que me era acometida.

Em um dos dias que tive uma folga, e finalmente consegui ter um sono tranquilo, fui despertada por um barulho estranho na cozinha, por um momento achei que estava apenas sonhando, que era apenas um fruto de uma mente exausta a ponto de enlouquecer.

Por via das dúvidas me levantei tateando as paredes em ziguezague, acendi a luz ainda com os olhos fechados e quando abri por alguns momentos achei que ainda estava dormindo. Meus eletrodomésticos estavam todos empilhados encima da mesa, junto com cadeiras, vassouras e até o pano do chão. Os alimentos dentro dos armários também estavam encima da mesa, e as portas deles abertas. Nada ficou no chão ou dentro dos armários.


Por um momento não acreditei naquela cena, tive medo que um assaltante estivesse dentro da minha casa. Fui até a sala, mas tudo estava normal, a porta e janelas continuavam trancadas como deixei, nenhum sinal de arrombamento ou invasão a não ser na cozinha.

O zumbido voltou com tudo, me ajoelhei de dor, agora era como uma escavadeira dentro do meu cérebro. Minha visão ficou turva, aos poucos fiquem desorientada e perdendo a noção de espaço. Antes de apagar pude sentir presenças me rodeando e tocando em mim com dedos finos e gosmentos.

Meu cérebro despertou novamente, mas meu corpo não, estava consciente e mesmo assim não conseguia me mover um centímetro sequer. Única coisa que conseguia enxergar, depois de me esforçar para abrir os olhos, era uma forte luz branca em minha direção. Estava deitada nua encima do que deveria ser uma maca. Gritei apenas por pensamento, porque nenhum som saiu da minha boca.

O zumbido voltou, mas agora tinha uma justificativa, estavam furando minha cabeça com alguma coisa. Mesmo não podendo me mexer, eu estava sentindo tudo, pedia para morrer enquanto as lágrimas escorriam, foi a pior dor que já senti na minha vida.  Fiquei inconsciente depois de um tempo, voltava a acorda de tempos em tempos ainda sentindo muita dor.


Quando eles acabaram de fazer o que queriam com minha cabeça, senti diversas mãos passando pelo meu corpo nu, dedos finos e compridos demais para serem de uma pessoa. Em um momento que estava com náuseas e quase vomitando, voltei a controlar o meu corpo, me virei rapidamente e caí da maca, junto derrubei uma prateleira com diversos instrumentos cirúrgicos.

Vomitei muito no chão, saiu de dentro de mim envolto a sangue alguma coisa que não consegui identificar, tive a impressão que estava se mexendo, minhas forças acabaram e eu apaguei novamente. Acordei no chão da minha sala com o sol já raiando, não parei de tremer durante uma semana inteira, fiquei paranoica, nunca contei para ninguém o que aconteceu comigo, e não sei se alguém acreditaria, estou me preparando para o retorno deles, dessa vez não vão me pegar desprevenida, vou descobrir o que fizeram comigo nem que isso custe minha vida.



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