"Tornei-me insano, com longos intervalos de uma horrível sanidade" - Edgar Allan Poe

W. R. SANTHOS

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Porto Alegre, Rs, Brazil
Escritor. Pintor. Cineasta Amador.

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sábado, 1 de dezembro de 2018

Livro do blog

Com muito orgulho que anuncio o lançamento do meu primeiro livro, baseado em um conto que escrevi aqui no blog...
Em breve colocarei o link pra compra e a data de lançamento...


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Marcelinho


Conto escrito por Fábio Zardo

          Ele dizia que morava na rua de cima. Parecia muito esperto para uma criança de dez anos, e nos últimos dias sempre aparecia na rua para brincar com Aírton. Marcelinho teve uma ideia na tarde fria de inverno: que tal invadir a casa abandonada? Falava de uma grande casa na esquina que há anos não tinha movimento nenhum. Aírton teve medo de levar bronca da mãe por fazer algo errado mas foi facilmente convencido pelo novo amigo. 

          Pularam o muro e testaram a porta dos fundos, onde havia um quintal. Estava aberta. A casa já estava envolta na penumbra do fim de tarde, pouco se discerniam móveis e objetos há muito deixados na pressa da mudança. No andar superior chegaram a uma sala grande onde havia uma luz um tanto tênue. Aírton estava com medo mas assim mesmo entrou na sala. Viu algumas velas acesas no chão, nas pontas de uma estrela dentro de um círculo. Agora ele via na parede a figura de uma espécie de bode sentado num trono. Não entendeu o que era aquilo, e disse com a voz trêmula: 

- Vamos embora Marcelinho, não estou gostando...

         Marcelinho não disse nada, estava com a cabeça baixa, olhando o chão. Aírton saiu da sala e desceu as escadas cada vez mais escuras. Foi até a porta mas ela estava trancada. Marcelinho disse com voz grossa, sinistra : - sinto muito amiguinho, mas é tarde para isso... Aírton viu que Marcelinho era agora um homem adulto. Tentou desesperado abrir a porta, mas viu que era inútil. Chorando, implorou : - me deixe ir, meus pais vão sentir minha falta.

Marcelinho tinha olhos brancos, sem vida: - eles já te esqueceram...

Airton nunca mais foi visto.


sexta-feira, 28 de setembro de 2018

3 da Madrugada




Parecia um estrondo no meio do silêncio absoluto. Meu coração disparou, abri meus olhos com um frio na espinha. Outra batida na porta aconteceu ainda mais forte que a anterior. Sentei na cama com meu corpo todo tremendo. Botei os pés no chão e notei que minhas pernas estavam fracas, tive que esperar alguns segundos pra levantar. 



Como não gosto de luz pra dormir, tudo estava escuro. Tateei pelo quarto o interruptor da luz, mas parei, encontrei algo na parede que não deveria estar ali. Soltei um pequeno grito de susto, graças a deus era apenas a antena que tinha ficado pendurada. 

Caminhei até a sala devagar. Eu estava ofegante. O interruptor era perto da porta, então eu tinha que atravessar a sala no escuro. Outra batida, eu sento no sofá. Fico me perguntando quem deveria ser a essa hora da madrugada. 



Meu apartamento era bem pequeno, bem apropriado para um solteiro. Na saída do quarto que só cabia uma cama de casal, a esquerda se encontrava o banheiro que dava de frente para a cozinha. Caminhando um pouco mais pra frente já se encontrava a sala, em quatro passos já estava na porta. 



- Quem é? – perguntei um pouco baixo. – Quem é? – falei agora um pouco mais alto, e com entonação mais forte. 

Olhei no relógio e eram três da madrugada. Tentei olhar pela fechadura quando não obtive resposta da minha pergunta. Mas não consegui ver nada. Me virei de costas pra porta pensando no que poderia fazer. 
Quando estava voltando pro quarto, não aconteceu simplesmente uma batida, mas parecia que milhões de pessoas estavam batendo a porta. Não só ela, mas a parede também tremia pelos impactos. Me apavorei e cai no chão. 

Luzes vermelhas tomaram conta das frestas da porta. Parecia que um exército estava prestes a entrar. Durou apenas alguns segundos, mas pra mim durou uma eternidade. Assim como começou, ele parou, tudo ficou em silêncio novamente como se nada tivesse acontecido. Fiquei acordado o resto da noite com as luzes todas acessas tremendo da cabeça aos pés. Nunca mais aconteceu algo parecido, mas nunca vou me esquecer dessa três da madrugada.


LENDAS URBANAS

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