"Tornei-me insano, com longos intervalos de uma horrível sanidade" - Edgar Allan Poe

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sexta-feira, 10 de junho de 2016

Feliz Dia dos Namorados


              Ele discou os números com muito entusiasmo, estava no ápice de sua felicidade tinha se declarado pra garota por quem era apaixonado e seu sentimento tinha sido recíproco, eles se conheciam há anos, mas sua paixão só aumentava a cada dia. Assim que a atendente disse “Alô” falou tudo rapidamente, reservou o hotel cinco estrelas pro dia dos namorados, uma suíte máster com rosas pelo chão, café da manhã standard e tudo o que mais tinha direito. 

            Passou em uma loja de joias comprou um colar de ouro em formato de coração, foi até uma loja de doces e comprou bombons suíços e por fim comprou um buque de flores, estava preparado pro dia ser inesquecível, não conseguia conter a ansiedade e felicidade que estava sentindo no momento, todos os anos que esperou a pessoa certa finalmente tinha chegado, por isso queria tudo perfeito, queria fazer dela a mulher mais feliz desse mundo, sabia exatamente o que ela gostava e o que não gostava, abdicaria de várias coisas pra vê-la feliz e contente, e quem sabe no futuro terem lindos filhos juntos.




Ele a achava a garota mais linda desse mundo, seus lindos cachos loiros misturados com seus olhos azuis e um largo sorriso de dentes perfeitamente brancos, tinha uma inocência no olhar que o deixava maravilhado, aquele brilho não tinha igual, se estivéssemos na Grécia antiga seria facilmente confundida com uma deusa do olimpo. Às vezes se perguntava porque tinha aceito ficar com ele ou quanto tempo isso iria durar até que ela caísse na real e o deixasse, isso gerava um ciúme dentro dele, assim que isso queimava no seu peito ele tratava de acalmar e apagar certos pensamentos, iria ser feliz com ela pra todo o sempre, nada nem ninguém ia atrapalhar a felicidade de ambos.

O dia finalmente tinha chegado, assim que acordou seu coração já estava acelerado, apesar de já ter planejado tudo com bastante antecedência estava com medo de alguma eventualidade ocasional. Ligou logo de manhã pra todos os lugares onde tinha deixado algo reservado, com tudo confirmado tomou um banho pra se arrumar e sair, ele ia fazer tudo, o que precisava fazer pra ele era apenas ser ela mesmo.

Ela estava mais linda que o normal, chegou na sua casa de limusine com o buque de flores na mão, ela abriu um largo sorriso e o abraçou, ali ele viu que nada daria errado e se entregou a felicidade. Foram na limusine tomando champanhe e comendo chocolate, conversando sobre como a vida estava sendo boa pra eles e que o amor dos dois era eterno. Antes de chegar no hotel ele se incomodou um pouco por ela estar toda hora no celular, disse que estava falando com sua mãe, mas aquele sentimento de ciúme começou a atormenta-lo novamente, respirou fundo e se acalmou, era dia dos namorados e não deveria ser nada mesmo, tomou mais um gole de champanhe e aproveitou o resto do caminho com seu amor.

Finalmente chegaram no hotel, entre beijos e carinhos fizeram check-in na recepção, ganharam trufas e uma música do cantor que se apresentava para os pombinhos que ali chegavam, nem ligava pra nada disso a única coisa que via na sua frente era a sua amada, subiram as escadas quase que entrelaçados, as mãos um do outro pareciam apenas extensões do corpo um do outro tocando fixamente os seus corpos.

  Assim que chegaram no quarto ele a atirou na cama, beijou cada centímetro do seu corpo ainda coberto pelas roupas, mas quando foi tira-las lembrou de algo, tinha esquecido de pegar o colar de ouro que tinha comprado, esse era o presente que ia fecha o dia com chave de ouro, prometendo que ia voltar o mais rápido possível voltou pra casa.


Pegou um taxi, pois a limusine só ia trazê-los, deu um dinheiro extra para o motorista ir o mais rápido possível, não queria ficar mais tempo que o necessário longe do seu amor, assim que pegou o colar que tinha ficado encima da cama voltou no mesmo taxi quase que acima da velocidade permitida, chegou no hotel e correu pro quarto encontrar o seu amor.

Chegou quase que sem fôlego, mas feliz por ter ido tão rápido, apostou que ela não esperava tamanha rapidez, a imaginou com aquele sorrido largo o esperando louca de saudade, mas assim que abriu a porta escutou alguns barulhos estranhos na cama e gemidos baixinhos, o que ele viu fez suas pernas fraquejarem, ela estava montada encima de outro homem, os dois transando feito animais, sentiu seu peito arder feito brasa, o sentimento de amor se tornou ódio, nenhum dos dois percebeu que ele estava ali então saiu do quarto, foi até a recepção deu uma desculpa e pediu um martelo emprestado.

A primeira martelada foi na cabeça dele, cravou tão fundo que quando puxou de volta veio junto um pedaço do cérebro, antes que ela pudesse gritar tapou a sua boca e a arrastou para o banheiro, lá martelou cada pedaço do seu corpo quebrando todos os seus ossos, como golpe final a sufocou com uma toalha, olhou no fundo dos seus olhos até o brilho que existia neles desaparecer. No dia seguinte a faxineira o encontrou pendurado por uma corda enforcado.


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